Após dois meses de queda, IGP-DI sobe 0,09% em agosto

Alta generalizada nos preços no atacado impediu nova deflação no Índice Geral de Preços, diz a FGV

RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

Após dois meses em queda, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,09% em agosto, embalado por uma aceleração de preços generalizada no atacado. Em julho, o indicador caiu 0,64%. Mas para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, mesmo com avanço na inflação mensal, o indicador encerrará 2009 com a taxa anual mais baixa de sua história, iniciada em 1944.

Até agosto, o IGP-DI, usado como indexador das dívidas dos Estados com a União, acumula quedas de 1,59% no ano e de 0,53% em 12 meses. A menor taxa anual da história do IGP-DI foi a de 2005, quando o índice subiu 1,21%. O técnico da FGV descartou a possibilidade de 2009 mostrar inflação anual acima do resultado de 2005. "A chance de encerrarmos o ano com queda nos Índices Gerais de Preços (IGPs) é boa. Parece que estamos saindo da deflação, mas estamos em uma situação tranquila", disse.

Um dos aspectos citados por Quadros para exemplificar o cenário de tranquilidade foi o comportamento do núcleo da inflação do varejo, medida pelo IGP-DI, que recuou de 0,29% para 0,19% de julho para agosto, o menor em 18 meses. O núcleo é usado para mensurar tendências, e calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais expressivas altas de preço. "Para mim, é sinal claro que a inflação está desacelerando gradativamente", afirmou.

Na prática, o que determinou o término da queda de preços no IGP-DI de julho para agosto foi o fim da deflação nos preços atacadistas (de -1,16% para 0,07%), como os industriais (de -2,57% para 0,01%) e os agropecuários (de -0,69% para 0,10%). O analista da consultoria Tendências Gian Barbosa considerou "surpreendente" a reversão de trajetória do IGP-DI. "Chama atenção a reversão de preços dos metais e a intensificação da alta dos produtos químicos", afirmou.

A taxa positiva nos preços industriais foi a primeira elevação após oito meses de queda de preços consecutivas. As sucessivas deflações mensais de preços no setor industrial, e também no setor agropecuário, refletiram a retração da procura por produtos nos mercados interno e externo, devido à crise. Mas a demanda está em recuperação, embora gradual, o que puxou os preços para cima Ainda segundo a FGV, o atacado foi o único setor a mostrar aceleração de preços, entre os três pesquisados para cálculo do indicador. No varejo, os preços desaceleraram (de 0,34% para 0,20%) e na construção civil, voltaram a cair (de 0,26% para -0,05%), o que "segurou" o avanço do IGP-DI.

Ontem, a fundação anunciou os resultados regionais de inflação das sete capitais usadas para cálculo do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S). Cinco das sete capitais apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços, e o destaque foi São Paulo, cuja taxa foi de 0,38% para 0,91%, entre agosto e setembro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.