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Após duas altas, dólar cai para R$ 3,30

Analistas agora avaliam que a economia dos EUA pode não estar pronta para aumento da taxa de juros; Bolsa se recuperou e subiu 1,5%

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2016 | 18h19

O dólar recuou 1,23% nesta quinta-feira, 15, ao nível de R$ 3,30, depois de duas sessões de alta.. A divisa norte-americana só se firmou em queda no início do período vespertino em meio à percepção de que a economia norte-americana pode não estar pronta agora para um aperto monetário. O movimento no câmbio ganhou tração no final do pregão com a aproximação de parlamentares e o governo de Michel Temer, o que pode facilitar a tramitação de medidas de ajuste fiscal no Brasil.

As mínimas da sessão foram registradas quando deputados do chamado "Centrão" sinalizaram apoio ao Planalto e seus esforços para ajustar as contas públicas. De acordo com o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF), os políticos do grupo - formado por PMDB, PP, PR, PSS, PRB, PTB e Solidariedade - entregaram ao presidente Michel Temer uma nota de "compromisso e apoio" às ações do governo. Também foi reafirmada durante almoço realizado no Palácio do Planalto a intenção de colaborar com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto dos gastos.

No exterior, a principal fonte de tensão continuou sendo o ritmo de aperto monetário do Federal Reserve. Nesta quinta-feira, no entanto, os mercados puderam encontraram algum alívio com uma série de indicadores mais fracos que o esperado sobre a economia dos Estados Unidos, indicando que a alta de juros no país não deve chegar tão cedo. Entre os números, as vendas no varejo caíram 0,3% em agosto ante julho, frente a uma previsão de queda menor, de 0,1%.

Em menos de uma semana, no dia 21, o Federal Reserve anuncia sua decisão de política monetária e atualiza suas projeções econômicas. As apostas de alta de juros neste ano têm recuado, mas nenhuma ação, inclusive agora em setembro, é descartada.

Ações. As perspectivas sobre a economia americana também ajudaram a uma recuperação da Bovespa, que fechou em alta de 1,49%, nesta quinta-feira, aos 57.909,48 pontos. Os negócios na Bolsa brasileira tiveram como referência as bolsas de Nova York.

O dia foi de altas generalizadas, mas teve entre os destaques os grupos de ações do setor bancário, que recuperou perdas recentes, e o elétrico, que reflete expectativa de aquecimento de negócios no setor. Os papéis da Petrobrás também subiram expressivamente, am acompanhando a valorização do petróleo. Por outro lado, a queda do dólar ante o real derrubou ações de empresas exportadoras, devido ao seu impacto negativo sobre a receita dessas companhias. Enquanto Petrobrás PN e ON subiram 2,34% e 3,05%, respectivamente, as de Fibria ON (-1,00%) e Klabin unit (-0,94%) estiveram entre as quedas do dia.

Na máxima do dia, o Ibovespa chegou aos 58.127 pontos (+1,87%), mas não se sustentou acima do patamar dos 58 mil pontos. A melhora do humor dos investidores, no entanto, não se traduziu em aumento do volume de negócios. Foram movimentados R$ 5,47 bilhões na Bolsa brasileira, valor bem inferior à média das últimas semanas. Na última terça-feira (13), os investidores estrangeiros retiraram R$ 687,498 milhões da Bovespa. Naquele dia, o Ibovespa havia fechado em baixa de 3,01%. No acumulado de setembro, a Bolsa registra saldo negativo de R$ 875,618 milhões. No ano, o saldo é positivo em R$ 14,133 bilhões de recursos externos.

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