Após encontro, Embraer diz que não vai rever demissões

Presidente da empresa se reuniu com o presidente Lula, que pediu apoio adicional aos 4.720 dispensados

Renata Veríssimo e Leonencio Nossa, da Agência Estado

25 de fevereiro de 2009 | 17h52

O presidente da Embraer, Frederico Curado, informou nesta quarta-feira, 25,  após reunião com o presidente, Luiz Inácio Lula da Silvia, que a empresa não irá rever as 4,2 mil demissões anunciadas na semana passada. Ele explicou que a empresa teve que reduzir os seus quadros em função da significativa queda nas encomendas de aviões no mercado externo. Segundo ele, mais de 80% das receitas da empresa são de compradores internacionais. Curado afirmou que assim que houver uma recuperação do mercado de aviação, a empresa poderá recontratar os funcionários demitidos. "Assim que as encomendas voltarem, temos todo o interesse em fazer contratações", afirmou em breve entrevista no Palácio do Planalto.  Veja Também:As medidas do empregoDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise Houve uma queda em 30% nos pedidos que vão até 2012 e, segundo ele, a empresa vem sentindo o impacto da retração do mercado mundial desde julho do ano passado. O presidente da Embraer informou que não houve uma discussão prévia com o governo sobre as demissões e o Planalto só foi comunicado da decisão um dia antes. Curado justificou o fato de não ter tido uma discussão prévia com o governo, porque a empresa entende que o Estado por meio do BNDES e de financiamentos às exportações já tem cumprido seu papel. "O problema não é do governo, nem do mercado brasileiro, é do mercado mundial", disse. Curado informou que o presidente Lula pediu informações detalhadas sobre as demissões e fez um apelo para que a empresa possa dar um apoio adicional aos demitidos. A Embraer, segundo o presidente da empresa, já garantiu por um ano as despesas com o plano médico dos funcionários demitidos. Quanto ao pedido de Lula, Curado disse que será analisado. Na reunião, que durou mais de duas horas, participaram pelo governo, além de Lula, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Pela Embraer, além de Curado, estavam presentes o presidente do Conselho Administrativo, Maurício Botelho, o vice-presidente de Assuntos Corporativos, Horácio Forjaz, e o vice-presidente Financeiro, Luiz Carlos Siqueira. A Embraer demitiu na semana passada o equivalente a 20% de seu quadro de 21.362 funcionários. Em Brasília, o presidente manifestou indignação ao ser informado sobre os cortes.As demissões interrompem um ciclo de expansão de mais de uma década da companhia, que disputa com a mineradora Vale o posto de maior exportadora do Brasil. Só em 2007, com a demanda em alta, a fabricante contratou nada menos do que 3 mil pessoas.  Em um esforço para atender à demanda, a empresa bateu recorde de produção no ano passado, quando entregou 204 aeronaves, ante uma previsão de 194. Mas a sorte começou a virar no terceiro trimestre do ano passado, quando a Embraer anunciou seu primeiro prejuízo trimestral (R$ 48 milhões) em 11 anos.  Texto atualizado às 18h10

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