Após extradição, Cacciola chega ao País e vai a presídio no Rio

Condenado a 13 anos de prisão, ex-banqueiro ficou oito anos em Mônaco, mas negou ser 'foragido da Justiça'

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo ,

17 de julho de 2008 | 09h17

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola foi extraditado ao Brasil nesta quinta-feira, 17, chegou ao País na madrugada e, em seguida, foi levado ao Presídio Ary Franco, no bairro de Água Santa, na zona norte do Rio de Janeiro. Cacciola ficou oito anos foragido da Justiça brasileira, acusado de causar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central quando era dono do Banco Marka. Em rápida entrevista na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio, Cacciola afirmou que não é um foragido, se sente tranqüilo e confia na Justiça. O ex-banqueiro chegou ao aeroporto do Galeão, no Rio, por volta de 4h30 desta manhã.  "Fui para a Itália com passaporte carimbado, entrei na Itália e saí [do Brasil] livre, com decisão do ministro Marco Aurélio Mello [do Supremo Tribunal Federal, que em 2000 deu liminar a ele devido a pedido de prisão preventiva expedido pelo Ministério Público], cheguei na Itália em 17 de julho e estou voltando ao Brasil em 17 de julho. No dia 19 [de julho do ano passado] o ministro [Carlos] Velloso anulou [a decisão anterior] e decidi não voltar mais", afirmou Cacciola. Veja também:'Não sou um foragido e confio na Justiça brasileira', diz CacciolaApós extradição, Cacciola diz que errou ao ir para MônacoSem algemas e descontraído, Cacciola aguarda retorno ao BrasilEntenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola O ex-banqueiro disse ainda que se sente tranqüilo. "Estou voltando preso mas é bom lembrar que as pessoas que foram condenadas junto comigo nesse processo estão trabalhando, estão livres. Eu não estava fazendo nada diferente do que elas estavam fazendo aqui [no Brasil]. Só que eu estava fazendo na Itália e respondendo a todos os processos por rogatória. Estava sempre à disposição da Justiça; a diferença é que eu estava na Itália."  O ex-banqueiro ganhou o direito de não usar algemas na chegada ao Brasil, por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Gomes de Barros, que atendeu ao pedido dos advogados do ex-banqueiro. A decisão foi encaminhada na quarta-feira, 16, no fim da tarde, ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e à direção da PF. A autorização para a extradição havia sido homologada pelo príncipe Albert II, de Mônaco, há 13 dias, e desde então o Ministério da Justiça negociava com a França a autorização para transitar com um preso pelos aeroportos de Nice e Paris. O último recurso ao Tribunal Supremo do principado, com o qual ameaçava o defensor monegasco de Cacciola, Frank Michel, não se confirmou.  Operação A operação montada pela Secretaria Nacional de Justiça para transferi-lo começou às 10h20 de quarta-feira, no principado. Um grupo de sete pessoas, entre as quais um adido consular, um promotor e agentes da PF, encontraram-se com o diretor de Serviços Penitenciários, Philippe Narmino, no Palácio de Justiça de Mônaco. Pouco depois das 13h30, horário local - 8h30 em Brasília -, Cacciola deixou a prisão Maison d'Arrêt, na qual viveu desde 15 de setembro. A seguir, ele foi transferido em helicóptero para o Aeroporto Internacional de Nice-Côte d''Azur, em Nice, no sul da França, quando teve seu primeiro contato com o público. Passava das 16 horas quando Cacciola embarcou no vôo AF 7715 da Air France. A movimentação de policiais franceses chamou atenção dos que esperavam o embarque. Nesse momento, Cacciola permaneceu cerca de 20 minutos exposto ao público, que reagia curioso e tirando fotografias. O empresário não se mostrou constrangido com o assédio dos fotógrafos, mas não quis falar aos jornalistas. Já no Airbus A320, Cacciola sentou-se cercado de dois policiais. Pediu suco de maçã e permaneceu sentado quase todo o vôo, levantando-se apenas para ceder passagem a um dos delegados da PF que sentava à janela. Na chegada a Paris, foi protegido dos fotógrafos e levado a uma zona de segurança do terminal A do Aeroporto Charles de Gaulle. Lá, embarcou, às 22 horas, no vôo JJ 8055 da TAM com destino ao Rio de Janeiro, cidade que deixou em 2000, antes de partir para o Paraguai e, em seguida, para Roma, onde viveu em liberdade até 2007. Sem Constrangimentos "A operação foi bem planejada e conseguimos contornar as eventuais surpresas jurídicas. O elemento-surpresa foi fundamental", disse, ao Estado, o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, referindo-se ao sigilo da operação. Tuma esclareceu que a orientação inicial era para que o ex-banqueiro fosse obrigado a usar algemas, mas um acordo teria sido firmado entre o preso e os agentes que o escoltavam. "Não havia risco de fuga, mas temíamos, por exemplo, que ele tomasse atitudes impensadas contra a própria segurança, o que não ocorreu até Paris." (com Andrei Netto e Daniele Carvalho, de O Estado de S.Paulo)

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