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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Após falha, Zumbi vai ser entregue hoje

No teste de mar, em março, foi detectado um problema no motor do novo navio da Transpetro

IRANY TEREZA, MARIANA DURÃO, SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2013 | 02h04

O navio Zumbi dos Palmares, o segundo construído pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, será entregue à Transpetro hoje, com a presença da presidente Dilma Rousseff, dois meses após sofrer problemas em um dos motores. De acordo com fontes ouvidas pelo Estado, no primeiro teste de mar, em março, foi detectada a falha. Uma peça foi trazida em regime de urgência, para não alterar o cronograma da entrega. A informação foi publicada na noite de sexta-feira pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Em julho de 2012, uma pane também foi constatada no motor principal do João Cândido, o primeiro entregue pelo EAS, em maio de 2012, com mais de dois anos de atraso. O João Cândido e o Zumbi, do tipo Suezmax, fazem parte do Programa de Expansão e Modernização da Frota da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobrás.

O programa vem amargando atrasos recorrentes, atribuídos pelas empresas à "curva de aprendizagem" de estaleiros recém-instalados. O EAS faz parte do grupo dos "estaleiros virtuais", assim chamados por serem construídos simultaneamente às suas encomendas. Parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Promef, lançado em 2004, prevê a construção de 49 navios para o transporte de petróleo e derivados, por R$ 10,8 bilhões.

Em nota, a Transpetro negou o problema. "A prova de mar, última etapa antes da entrega de um navio ao armador, comprovou que o motor está em perfeitas condições", diz a empresa, em relação ao petroleiro Zumbi dos Palmares. De acordo com apuração do Estado, somente depois do conserto, em nova prova de mar, o equipamento foi aprovado. A Transpetro diz ainda ter ajustado o cronograma do projeto e agora contabiliza o "atraso contratual" de apenas 23 dias. O prazo de entrega da embarcação, porém, depois dos atrasos do João Cândido, era julho/agosto de 2012.

Os incidentes geraram uma crise entre a Transpetro e a Man Diesel, fabricante alemã dos motores dos petroleiros. Em relatório interno, técnicos da subsidiárias da Petrobrás advertiram para a possibilidade de repetição do defeito em outros navios, como o Panemax Anita Garibaldi, em construção pelo Estaleiro Mauá.

A alemã Man Diesel & Turbo, maior fornecedora de motores de grande porte do mundo, com faturamento anual de 13 bilhões, informou, em nota, que ajustes em início de operação são procedimentos comuns na construção naval. "É necessário realizar, no início da operação destes motores altamente complexos, diversos ajustes", diz a companhia.

No caso do João Cândido, o problema foi na válvula de descarga do motor principal, equipamento de segurança acionado quando há um excesso de pressão. O episódio motivou, no fim do ano passado, uma carta da Transpetro à direção da Man. Cada motor desse tipo, segundo fontes do setor naval, custa em torno de US$ 8 milhões. Na carta, a Transpetro destaca que o problema constatado no João Cândido depois que o petroleiro entrou em operação acarretou riscos para a tripulação, para o meio ambiente e para o navio.

A Transpetro argumentou, na carta, ter conseguido apenas uma solução temporária e que o conserto afetou o retorno financeiro esperado do navio. Em dezembro do ano passado, Stephan Timmermann, diretor de sistemas marítimos da Man esteve no Brasil, para uma reunião na Transpetro. Segundo a multinacional, foi apenas uma viagem de rotina.

Engenheiros que atuaram no projeto do João Cândido disseram que o defeito apresentado não é tão grave do ponto de vista da segurança, já que os petroleiros têm motores de emergência. O pior foi a péssima qualidade das soldas da embarcação. Depois de lançado ao mar em 2010, constatou-se que pelo menos 60% das soldas teriam de ser refeitas.

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