Franck Robichon/Pool Photo via AP
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Mercados internacionais fecham sem sinal único após Fed e saída do primeiro-ministro do Japão

Shinzo Abe confirmou relatos de que irá renunciar ao cargo por questões de saúde e informação ajudou a derrubar o índice japonês Nikkei

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 07h00

As Bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta sexta-feira, 28, à medida que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou que vai renunciar ao cargo - a informação derrubou o índice de Tóquio. Já Nova York se valorizarou um dia após o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, anunciar uma nova estratégia de política monetária.

Abe confirmou a renúncia ao cargo por questões de saúde, logo após boatos ecoarem no mercado. O premiê, que sofre de colite ulcerosa, disse que continuará no posto até um sucessor ser nomeado. "Minha saúde frágil não deveria guiar à decisões políticas equivocadas", disse. "Como eu não sou mais capaz de cumprir com as expectativas sobre o mandato do povo do Japão, eu decidi que não devo seguir na posição de primeiro-ministro. Então eu decidi me retirar."

Contudo, ganhos foram registrados nesta sexta após Powell confirmar na quinta-feira, 27, durante o simpósio de Jackson Hole, que o Fed vai passar a utilizar uma nova política baseada numa taxa de inflação média de 2%, em mais um esforço para ajudar a economia dos Estados Unidos a se recuperar do choque do novo coronavírus. A mudança sinaliza que as taxas de juros americanas deverão continuar próximas de zero por um longo período de tempo.

Bolsas da Ásia 

O japonês Nikkei encerrou os negócios em Tóquio em baixa de 1,41% após o discurso de Abe, mas em outros índices, os resultados foram positivos. Os chineses Xangai Composto Shenzhen Composto subiram 1,60% e 1,97% cada, enquanto o sul-coreano Kospi se valorizou 0,40% em Seul e o Hang Seng, que registrou alta de 0,56% em Hong Kong. Por outro lado, o Taiex recuou 0,53% em Taiwan, a 12.728,85 pontos.

Na Oceania, a Bolsa australiana teve um pregão negativo, num momento em que a temporada local de balanços financeiros se aproxima do fim. O S&P/ASX 200 teve queda de 0,86% em Sydney.

Bolsas da Europa 

Já no velho continente, os resultados foram afetados por indicadores econômicos pouco favoráveis, como o recuo histórico de 13,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da França no segundo trimestre. Além disso, o aumento de casos da covid-19 no Reino Unido também chamou a atenção por lá - com isso, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 0,52%. A Bolsa de Londres recuou 0,61%, a de Paris cedeu 0,26% e a de Frankfurt caiu 0,48%. Já Milão e Lisboa cederam 0,03% e 0,65%. A única a subir foi Madri, que teve alta de 0,60%.

Bolsas de Nova York

Os mercados acionários de Nova York voltaram a registrar ganhos hoje, com os índices S&P 500 e o Nasdaq renovando máximas históricas de fechamento. O Dow Jones fechou em alta de 0,57%, em 28.653,87 pontos, o S&P 500 avançou 0,67%, a 3.508,01 pontos e o Nasdaq subiu 0,60%, para 11.695,63 pontos. Os índices tiveram ganho semanal de 2,59%, 3,26% e 5,98%. Hoje, ajudou o índice de sentimento do consumidor dos EUA, que avançou a 74,1 em agosto.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em direções opostas hoje, sem muito impulso, com investidores avaliando que os estragos temidos pelo furacão Laura na infraestrutura do setor no Golfo do México não se concretizaram. A Sucden Financial destacou em relatório que as refinarias da região já estavam em "modo recuperação", após a passagem de Laura. O furacão não causou tantos estragos quanto temido, o que pressionou os preços do barril.

O contrato do WTI para outubro terminou em baixa de 0,16%, a US$ 42,97 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para novembro, contrato mais líquido agora, subiu 0,46%, a US$ 45,81 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O contrato do Brent para outubro registrou baixa de 0,09%, a US$ 45,05 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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