Após forte queda, uma leve reação do varejo

Em outubro, o volume das vendas do comércio varejista cresceu 1% em relação a setembro e 1,8% comparativamente a outubro do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Aumentou, em especial, o consumo nos super e hipermercados - fato importante a sugerir que as pessoas se alimentaram melhor e compraram mais bens necessários, como vestuário e calçados. E tudo indica que as eleições contribuíram para a melhora.

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2014 | 02h03

Num pleito acirrado, foram contratados os mais diversos serviços e profissionais - de agências de propaganda a blogueiros e internautas, de gráficas a desenhistas e estatísticos, de pesquisadores de opinião a transportadores, em todos os níveis e em todo o País. Eleições, historicamente, são períodos de muitos gastos, que alimentam as atividades.

Foi o terceiro mês consecutivo de melhora dos índices do varejo, mas, embora os agentes econômicos tenham se surpreendido positivamente, os dados de médio prazo mostram que o comportamento das vendas continua sendo pouco satisfatório. A receita nominal do varejo restrito aumentou 9,4% entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores e, quando se incluem veículos e materiais de construção, o chamado varejo ampliado teve um aumento nominal de receita de 5,1%, inferior à inflação oficial, de 6,56%.

Os consumidores são mais comedidos nas compras de itens de maior custo, como móveis e eletrodomésticos. Mas voltam a consumir bens de baixo valor unitário, não apenas adquiridos em super e hipermercados, mas artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria.

O crescimento do varejo foi disseminado, em outubro, mas será preciso que a atividade econômica em geral melhore para que o fim do ano seja menos apertado do que se chegou a temer. Mas nada indica que haja, neste ano, crescimento real do varejo ampliado, nem que 2015 possa registrar um crescimento superior a 3%, semelhante ao de 2013, mas inferior à metade do crescimento de 2011 (6,8%) e de 2012 (7,9%) e correspondente apenas a uma quarta parte da evolução de 2010 (12%).

De fato, aumentou o comprometimento da renda das famílias com as prestações da moradia própria, deixando menos recursos livres para consumir bens, notadamente de maior valor, adquiridos a longo prazo. Além do mais, o ambiente econômico é pouco favorável ao consumo de supérfluos.

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