Após fracasso em negociações, sueca Saab declara falência

A GM, ex-controladora da Saab, bloqueou um plano de socorro que vinha sendo negociado com um grupo chinês

JOHAN AHLANDER, REUTERS / TROLLHATTAN, SUÉCIA, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h09

A montadora sueca Saab teve sua falência decretada ontem por um tribunal, pondo fim a uma batalha de nove meses pela sobrevivência por seu dono holandês. A Saab, que fabricou carros durante 64 anos, tinha problemas de caixa desde março, depois que as vendas em 2010 ficaram abaixo das metas em meio ao colapso de sua venda pela General Motors. A empresa não produziu nenhum veículo desde abril e várias tentativas de salvamento fracassaram.

A proprietária da Saab, a Swedish Automobile, disse que a antiga dona e detentora das licenças da empresa, a General Motors, bloqueou um plano de salvamento de última hora pela investidora chinesa Youngman. A Swedish também criticou o administrador nomeado pelo tribunal que vinha supervisionando seu processo de proteção do credor e que teria se intrometido nos negócios.

A Saab propôs um novo salvamento, envolvendo a Zhejiang Youngman Lotus Automobile, mas o plano foi rejeitado pela GM no fim de semana. "Esse foi, basicamente, o último prego no caixão desta bela companhia", disse o presidente executivo da Swedish Automobile, Victor Muller, a jornalistas, horas depois de entregar o pedido de falência em um tribunal sueco.

O tribunal posteriormente aprovou o pedido e nomeou dois síndicos para gerir a companhia. Muller disse que era do interesse dos investidores assumir o controle da Saab, mas isso ainda dependia da aprovação da GM.

A GM, ex-proprietária da Saab, ainda licencia a ele tecnologias das quais depende a produção dos carros, e tem uma pequena participação acionária na empresa. Alguns analistas disseram que a GM provavelmente havia agido para proteger sua cooperação chinesa com a estatal SAIC Motor Corp. Ltd. (Shanghai Automobile). Muller concordou.

"Creio que eles temem que a tecnologia licenciada pela Saab volte ao mercado chinês e concorra com a sua - basicamente a mesma tecnologia - na joint venture com a Shanghai Automobile", acrescentou Muller.

Apoio. O porta-voz da GM, James Cain, disse que o grupo americano foi franco o tempo todo com a Saab, e a ajudou durante "muitos meses". "Não poderíamos apoiar as propostas e fomos muito consistentes, muito claros e muito honestos, porque sentimos que era importante para a Saab e para seus parceiros em potencial e outras partes interessadas que eles trabalhassem para encontrar uma solução."

A companhia emprega cerca de 3,5 mil pessoas, embora autoridades tenham dito que muitos mais seriam afetados por um fechamento, incluindo fornecedores. Empregado havia muito na Saab, Stefan Karlsson disse que temia pelo futuro da própria região onde a companhia está baseada. "Sei que haverá muito desemprego. Mas há outras questões, como exclusão e segregação. Será uma luta por empregos", disse ele.

A Saab apresentou seu primeiro protótipo em 1947, após sair de engenharia aeronáutica, e construiu uma clientela pequena e fiel.

Ainda existe uma empresa Saab separada de segurança e defesa. A General Motors adquiriu 50% da empresa automobilística em 1990 e o restante em 2000.

Ela decidiu vender a marca em 2009, após a crise financeira, e chegou perto de fechá-la antes de a Swedish Automobile, então chamada Spyker Cars, adquirir a Saab em janeiro de 2010.

Apesar de seu nome bastante conhecido, a Saab era uma operadora de nicho e alguns analistas haviam questionado seu futuro. Ela tem capacidade para produzir mais de 100 mil carros por ano, operando em dois turnos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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