Após grau de investimento, Bovespa bate recorde histórico

Nova classificação dada pela agência Standard & Poor's impulsiona Bolsa de São Paulo, que sobe 6,33%

Claudia Violante, da Agência Estado,

30 de abril de 2008 | 18h03

A elevação do Brasil ao grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's deu todos os argumentos que o mercado acionário doméstico precisava para, finalmente, romper o recorde de 6 de dezembro passado e posicionar-se em outro patamar. E esse nível foi bem acima de qualquer projeção.  Veja também:Brasil é elevado a grau de investimento'É o aval de que passamos a ser donos do nosso nariz', diz Lula 'Brasil entra no clube dos mais respeitados', diz Mantega  Como o presidente sempre diz, 'nunca antes neste País...'Entenda o que muda no Brasil A Bovespa teve a maior alta porcentual desde 17 de outubro de 2002, de 6,33%. Fechou no recorde de pontos de 67.868,5 pontos, substituindo o recorde anterior, de 6 de dezembro passado, aos 66.790,8 pontos. O volume financeiro disparou e totalizou R$ 9,708 bilhões. O ganho acumulado no mês chegou a 11,32%, o mais elevado em 2007 e 2008, segundo os dados do site da Bolsa. Em 2008, a Bovespa acumula elevação de 6,23%. O dólar despencou após o corte de 0,25 ponto porcentual dos juros norte-americanos (para 2% nos Fed Funds e para 2,25% no redesconto) e a concessão do grau de investimento para o Brasil pela S&P. A moeda já vinha em baixa desde cedo, influenciada pelo fluxo comercial positivo e a rolagem de contratos futuros em que a pressão dos "vendidos" prevaleceu. Mas a reação dos investidores ao upgrade dado pela S&P provocou uma enxurrada de ofertas de moeda e as cotações à vista e no mercado futuro derreteram. O volume de negócios disparou e o giro total à vista cresceu 271%, para cerca de US$ 13 bilhões. No balcão, o dólar encerrou na mínima de R$ 1,663, em baixa de 2,52%. Com o resultado, a queda acumulada pela moeda em abril ampliou-se para 5,13% e, no ano, para -6,31%.  Fed A decisão da S&P acabou ofuscando a reunião do Federal Reserve para tomar sua decisão de política monetária. O Fomc cumpriu o que esperava o mercado - cortou a taxa básica em 0,25 ponto porcentual, para 2% ao ano, promoveu a mesma redução na taxa de redesconto (para 2,25% ao ano) e deu sinais de que o processo de afrouxamento monetário será interrompido.  As bolsas reagiram imediatamente ao anúncio com relativa indiferença. Mas as bolsas norte-americanas acabaram invertendo o rumo depois que os investidores, como sempre, fizessem a releitura do comunicado.  Assim, o Dow Jones encerrou a sessão em baixa de 0,09%, aos 12.820,1 pontos. O S&P recuou 0,38% e o Nasdaq encerrou com queda de 0,55%. Antes da releitura, os balanços e indicadores divulgados hoje deram fôlego para uma alta firme.  O mercado gostou dos números da ADP (criação de 10 mil vagas no setor privado em abril, ante estimativa de -70 mil postos de trabalho) e do PIB (alta de 0,6% no primeiro trimestre, em linha com as estimativas) e balanços como da GM e Procter & Gamble. Mas tudo acabou ficando relegado a segundo plano após o encontro do Fomc. Blue chips No Brasil, com o investment grade, a queda do petróleo (-1,88%, aos US$ 113,46 o contrato de junho) e dos metais não se refletiram nas blue chips Vale e Petrobras, que foram alvos preferenciais após elevação do rating. Após o fechamento do mercado, a Petrobras confirmou o reajuste dos combustíveis, 10% para a gasolina e 15% para o diesel, aumento que só repercutirá nas ações na sexta-feira, quando o mercado doméstico volta a trabalhar após o feriado do Dia do Trabalho. Os investidores domésticos terão também que enfrentar, no último dia da semana, o relatório do mercado de trabalho norte-americano de abril, para o qual as estimativas são de uma queda de 85 mil vagas. Para a taxa de desemprego, é esperada uma alta de 5,1% para 5,2%. Também terá o índice PCE como pano de fundo. Este dado, o mais importante analisado pelo Fomc, sai nesta quinta.

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