Após greve, GDF Suez admite atraso nas obras de Jirau

O presidente da GDF Suez para América Latina, Jan Flachet, admitiu hoje que o cronograma de construção da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, sofrerá alterações por conta da paralisação das obras provocadas por greve e vandalismo no canteiro de obras. Em entrevista após participar de um painel do Fórum Econômico Mundial, no Rio de Janeiro, ele afirmou que será mantida a conclusão do desvio do Rio Madeira por um vertedouro em agosto, mas eventuais atrasos no cronograma ainda estão sendo analisados com a Camargo Correa, principal construtora do empreendimento. A GDF Suez é a maior acionista de Jirau.

ALEXANDRE RODRIGUES, Agencia Estado

29 de abril de 2011 | 14h59

"Ainda estamos analisando como isso afetou o cronograma final de todo o projeto. Ainda não temos toda a informação", afirmou. "Temos duas casas de força sendo construídas simultaneamente e agora pode ser que uma entre um pouco depois da outra", disse. No entanto, ele apontou os atrasos na linha de transmissão do Rio Madeira como o principal problema.

"A linha de transmissão ainda não tem a licença de instalação definitiva, então é uma coisa que nos preocupa", disse Flachet. Segundo o executivo, as demissões em curso não afetarão significativamente o ritmo da obra, porque o número de funcionários já iria cair após a conclusão do vertedouro. De qualquer forma, ele admitiu que talvez a empresa tenha subestimado as condições para manter 20 mil trabalhadores no canteiro de obras.

"Ainda não conseguimos entender o que se passou", afirmou, ressaltando que o episódio da greve não desanima o grupo a continuar investindo no Brasil. "Quando há um problema, não podemos perder a coragem para solucionar o problema. Não perdemos, por isso, a confiança no Brasil."

Revisão de custos

Flachet disse ainda que fatores como a alta da inflação e a possibilidade de ampliar o número de turbinas da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, devem levar à revisão dos custos totais da obra. No entanto, ele não quis revelar as novas estimativas. "Temos que avaliar essa questão dos custos com muito cuidado. Há no Brasil a inflação e o segundo ponto é que, embora não esteja definido totalmente, vamos aumentar de 46 para 50 turbinas, o que é também um investimento adicional que entra na obra", disse Flachet, ressaltando que ainda é preciso definir o potencial com as turbinas adicionais e como essa energia será vendida.

Segundo Flachet, a intenção da empresa é continuar em busca de oportunidades no setor de energia elétrica no Brasil. Segundo ele, nem mesmo a paralisação recente das obras da hidrelétrica de Jirau tirou o interesse da companhia no Brasil.

"Hoje temos algo mais de 6% do mercado brasileiro, que cresce, e a ideia é que a parte de energia tem que crescer junto com o País. Para o desenvolvimento do País é preciso investimentos em energia, e estamos dispostos a acompanhar esses investimentos, sempre com o retorno que estamos buscando", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
energiahidrelétricaJirauobrasgreve

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.