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Após investimentos no exterior, fundo GP mira energia elétrica e disputa Light

As mais recentes apostas do GP, que tem US$ 1,6 bi sob gestão, foram em redes de restaurantes nos EUA e na Inglaterra; agora, fundo avalia voltar à infraestrutura no Brasil e pode fazer aporte de capital na distribuidora carioca, controlada pela Cemig

Renée Pereira e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2018 | 04h00

A gestora de recursos GP Investments está avaliando importantes ativos no Brasil no setor de energia elétrica, apurou o ‘Estado’. Com US$ 1,6 bilhão de negócios sob gestão, entre eles, redes de restaurantes nos Estados Unidos e Inglaterra, a GP volta a se interessar pelo mercado nacional, depois de um movimento recente do fundo de private equity (que compra participação em empresas) no exterior.

Ex-acionista da ferrovia ALL (atual Rumo), a GP retomou seu interesse por negócios de infraestrutura no País, em especial na área de energia elétrica, setor no qual o marco regulatório é considerado mais estável. O fundo já teve passagem pelo setor como sócio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), na década passada.

Os negócios mais recentes da empresa ocorreram no exterior. Em março, o GP fez aporte de US$ 100 milhões para comprar a rede de restaurantes Bravo Brio, que atua nos Estados Unidos. Em maio de 2017, a gestora já havia comprado a rede de fast-food Leon, no Reino Unido. O retorno ao mercado de alimentação ocorre seis anos depois de a gestora ter vendido a rede de churrascarias Fogo de Chão para o fundo americano Thomas H. Lee Partners, por US$ 400 milhões.

No Brasil, o último negócio ocorreu em 2016, com a compra do controle da BR Properties, na qual já tinha 12% de participação. O interesse pela Light surgiu recentemente, com a decisão da Cemig de se desfazer do ativo, considerado bastante complexo. A concessionária tem uma dívida perto de R$ 8 bilhões e perdas de energia (causadas especialmente foi furtos e fraudes) superiores a 20%.

Desde o ano passado, a estatal mineira tenta encontrar formas para reduzir o endividamento da distribuidora. Uma das alternativas que já foi colocada sobre a mesa por duas vezes é um aporte de capital por meio de uma emissão primária de ações, no valor de cerca de R$ 1 bilhão, seguida de uma emissão secundária. Segundo fontes, a entrada da GP poderia ocorrer exatamente por meio de aumento de capital na concessionária e diluição da participação da Cemig.

Em nota, o GP afirmou que não comenta boatos de mercado. A Cemig disse que, conforme seu plano de desinvestimentos, avalia modelos de venda da sua participação da Light. “Há conversas em curso com potenciais investidores.”

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