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Após IOF, gestores alteram estratégias de investimento no País

Analistas avaliam que a Bolsa de São Paulo perderá fluxo diante do mercado financeiro internacional

Daniela Milanese, da Agência Estado,

20 de outubro de 2009 | 10h29

Gestores de recursos internacionais já alteram suas estratégias de investimentos no Brasil, a partir da taxação de 2% para o capital externo. Consultados na Europa pela Agência Estado, eles avaliam que os ADRs (títulos negociáveis nas principais bolsas dos EUA representativos de ações de empresas de fora do país) roubarão novos fluxos da bolsa brasileira e que os recursos para a entrada em novas ofertas públicas (IPOs) virão prioritariamente da venda de ações que já estão na carteira, o que pressiona o Ibovespa.

 

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"Os ADRs passarão a embutir um prêmio de 2% imediatamente", afirmou Lionel Bernard, administrador para a América Latina da Crédit Agricole Asset Management, em Paris. "Será criada uma arbitragem entre Nova York e o mercado local com base na nova taxação."

 

O novo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tem repercussão negativa especialmente entre os gestores de ações no exterior, que não contavam com a medida, aplicada à renda fixa e variável. O anúncio, feito nesta última segunda-feira, 19, em São Paulo pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, gerou até correria em casas internacionais para a adaptação à nova regra.

 

Um gestor explicou que a criação do imposto traz problemas para a definição do valor das cotas dos fundos. Se a gestora permite que um novo investidor entre na carteira hoje sem o pagamento de taxa adicional, acaba diluindo os demais participantes. Daí a necessidade de acertar essas questões hoje logo cedo.

 

Apesar da avaliação generalizada de que a medida não terá eficácia para conter a valorização do real no médio prazo, especialistas dizem que o fluxo de recursos novos para o mercado de ações brasileiro tende a ser afetado. "Para o dinheiro novo terá impacto, o investidor vai pensar duas vezes antes de entrar", disse o diretor de um banco em Londres, que preferiu não ser identificado.

 

No caso dos IPOs, a opção será vender ações que já estão em carteira no mercado interno para fazer caixa e participar de novas ofertas. Conforme o diretor, isso é negativo porque pressiona os papéis e o Ibovespa. "Provavelmente, não deixaria de entrar nos IPOs, mas farei troca de ações internamente para não pagar o imposto", disse Bernard, do Crédit Agricole.

 

Para os investidores que querem trazer novos recursos ao País, a estratégia terá de ser de longo prazo, afirmou Henry Stipp, estrategista para emergentes do Threadneedle Investments, em Londres. "Isso aumenta as incertezas e será preciso fazer hedge."

 

Na avaliação de um executivo financeiro, o ganho acumulado de quase 80% pelo Ibovespa neste ano dá motivo para realizações de lucro no curto prazo, em decorrência do novo IOF, apesar da percepção positiva sobre o País no exterior. Ele lembra, aliás, que esta não é uma taxação "de crise", quando a falta de confiança na própria moeda leva à imposição de barreiras para conter a fuga de capitais. Ao contrário, é reflexo da boa avaliação a respeito do Brasil.

 

A volatilidade a ser gerada pelo anúncio, a falta de eficácia para conter o real e os questionamentos sobre a credibilidade do governo são as principais reclamações dos investidores estrangeiros na Europa.

 

"Fica um coloca e tira, coloca e tira que não é bom", afirmou um gestor, referindo-se ao IOF criado no ano passado para as operações de renda fixa que foi retirado meses depois.

 

Eles também mencionam a tendência de desvalorização internacional do dólar, incapaz de ser contida pela taxação. Stipp, do Threadneedle, questiona a ausência de operações de swap pelo Banco Central, juntamente com as intervenções no mercado à vista, o que poderia ter melhor efeito para tentar suavizar a volatilidade cambial - embora não consiga conter o real. "Não adianta lutar contra a fraqueza do dólar e tentar remar contra a maré porque a pressão está em todas as moedas."

 

Para Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING, o novo imposto pode apenas atrasar o "inevitável movimento" para abaixo de R$ 1,70.

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