Após medidas, BC nega problema de liquidez

Diretor de Política Monetária do Banco Central diz que objetivo é apenas estimular uma maior racionalidade da liquidez do mercado financeiro brasileiro

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2011 | 21h49

O Banco Central (BC) mudou hoje as regras dos compulsórios sobre depósitos à prazo que os bancos são obrigados a recolher para incentivar os negócios de compra de carteiras de crédito, Depósitos Interfinanceiros (DIs) e Letras Financeiras (títulos de longo prazo ). A medida vai ajudar os bancos pequenos e médios a aumentarem os seus negócios de venda de carteiras, como antecipou a Agência Estado. "Eles vão poder captar mais", disse há pouco à Agência Estado, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes.

Segundo ele, não se trata de um problema "localizado" de liquidez. A medida, destacou o diretor, visa estimular uma maior racionalidade da liquidez do mercado financeiro brasileiro.

A mudança não altera a alíquota do compulsório dos depósitos a prazo (hoje em 20%) e nem os períodos de cálculo do recolhimento. Mas para estimular os negócios com carteiras, LFs e a contratação de DIs, o BC vai deixar de remunerar parte dos compulsórios dos depósitos à prazo.

Hoje, os depósitos à prazo são 100% recolhidos em dinheiro. O BC remunera o dinheiro depositado pela correção da taxa Selic.

Com a mudança, explicou o diretor, parte deixará de ser remunerada, o equivalente a 36%. O BC estabeleceu um cronograma para a implementação das novas regras. Em 27 de abril de 2012, a regra entrará plenamente em vigor. Mas antes desse prazo, em 24 de fevereiro do ano que vem, 27% do compulsório sobre depósitos a prazo já não terão mais a remuneração.

Mendes explicou que uma instituição financeira hoje pode utilizar 36% do compulsório sobre o depósito à prazo para comprar carteiras de crédito de outras instituições ou comprar DIs. Ou seja, de cada R$ 100,00 reais depositados no BC , R$ 36,00 podem ser usados nesses negócios. O problema é que apenas R$ 31 bilhões dos R$ 60 bilhões dos depósitos que poderão ser direcionados para essas compras estão sendo utilizados. Com a medida, o BC acredita que os cerca de R$ 30 bilhões restantes, poderão ser utilizados nesses negócios, já que o dinheiro deixará de ser remunerado.

Na circular de hoje, o BC acrescentou as Letras Financeiras entre os ativos que poderão ser comprados. E fixou o prazo de 29 de junho de 2012 para as operações com DIs.A partir dessa data, os negócios só poderão ser feitos com duas modalidades: carteiras e Letras Financeiras. O diretor do BC destacou que a inclusão das Letras Financeiras é bom para o sistema porque são papéis de longo prazo.  

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