Vladimir Kirakosyan / Creative Commons
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Após oito quedas consecutivas, vendas do varejo sobem 0,6% em outubro

Resultado vem acima das projeções dos analistas e é puxado pelos supermercados; na comparação com outubro de 2014, no entanto, as vendas recuaram 5,6%

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2015 | 09h10

RIO - As vendas do comércio varejista subiram 0,6% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o maior desde novembro de 2014 e interrompe oito meses de taxas negativas consecutivas, período em que o setor acumulou perda de 6,3%. O resultado veio acima do intervalo das estimativas dos analistas.

O aumento das vendas alcançou cinco das oito atividades pesquisadas, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,0%). Os outros dois principais avanços foram registrados em: tecidos, vestuário e calçados (1,9%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,5%).

Para Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, a alta nas vendas do varejo é significativa, mas ainda não reverte a tendência de queda no setor. "Então é um resultado positivo, mas muito abaixo das perdas acumuladas no passado. Ele amortece a média móvel, que é um indicador de tendência, mas não reverte tendência por enquanto", avaliou Isabella. 

Na comparação com outubro de 2014, por exemplo, o setor varejista registrou uma queda de 5,6% no volume de vendas, o pior resultado para o mês da série histórica da pesquisa.

Supermercados. A gerente do IBGE notou que o único segmento que conseguiu reverter a tendência de queda observada pela média móvel trimestral foi o de supermercados. Segundo ela, a atividade é beneficiada pela oferta de produtos essenciais e pela proximidade do fim do ano, período em que circula mais dinheiro no bolso do consumidor. 

De acordo Isabella, o desempenho das vendas é prejudicado pela renda menor e pelo crédito mais caro. "No cenário para o poder de compra, você tem que juntar renda e crédito. Enfraqueceu também o mercado de trabalho, que é um componente importante para o consumo das famílias", citou.

Dados da Pesquisa Mensal de Emprego, apurada também pelo IBGE, mostram que a massa de salários paga aos trabalhadores ocupados crescia 3,1% em outubro de 2014 e passou a cair 10,4% em outubro de 2015. Informações do Banco Central mostram que a taxa de juros do crédito a pessoas físicas saltou de 28,1% ao ano para 38,7% ao ano no mesmo período.

Varejo ampliado. Já o varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,1% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal. O resultado também veio fora do intervalo das estimativas, que esperavam redução de 0,40% a 2,70%, com mediana negativa de 1,70%.

Na comparação com outubro de 2014, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 11,8%, a mais acentuada de toda a série histórica, que nesse caso começa em 2005.

O recuo nessa comparação foi provocadoa pela queda de 23,9% nas vendas de veículos e motos, partes e peças. O desempenho da atividade foi o pior desde junho de 2002, quando caiu 24,6%. A atividade de material de construção registrou baixa de 15,7% ante outubro de 2014, maior baixa desde abril 2009, quando a queda foi de 15,8%.

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