Após perda de contratos, Tecsis fecha fábrica e demite 1,1 mil funcionários

Maior fabricante de pás eólicas do Brasil, companhia desativou neste mês a unidade de Itu, que tinha 700 funcionários, e demitiu outros 400 na fábrica de Sorocaba

José Maria Tomazela SOROCABA (SP), O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2016 | 05h00

A Tecsis, maior fabricante de pás eólicas do Brasil, demitiu mais 1,1 mil funcionários este mês de suas fábricas em Itu e Sorocaba, interior de São Paulo, de acordo com o Sindicato dos Químicos de Sorocaba e Região. A unidade de Itu foi desativada. A empresa alega a perda de contratos em razão do agravamento da crise econômica, que afeta especialmente o setor de energia eólica.

Na noite da quinta-feira, a companhia fechou acordo com o sindicato para pagar as rescisões dos demitidos em oito parcelas. A proposta inicial, de pagar em 12 parcelas, foi rejeitada pelos trabalhadores. O valor inclui saldo de salário do mês, aviso prévio, férias e multa de 40% sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Em nota, a Tecsis informou que, devido ao cancelamento de contratos relevantes com clientes nos últimos meses, se viu obrigada a implementar um plano de ajuste operacional que está sendo concluído neste mês. “Dentro deste plano, a Tecsis está usando todas as alternativas, dentro da lei, para que consiga superar a esse momento difícil.”

A empresa informou que ainda mantém 3,5 mil colaboradores diretos em quatro unidades industriais em Sorocaba e uma na Bahia. O número é muito inferior aos 7,8 mil funcionários que a companhia tinha há cinco anos, quando o setor de energia eólica vivia seus melhores momentos. De lá para cá, o cenário sofreu forte reversão no País.

As empresas do setor eram estimuladas pelos leilões realizados pelo governo federal que contratavam de dois a três milhões de gigawatts de energia eólica por ano. O problema é que, este ano, até agora não houve nenhum leilão. Com isso, a demanda por pás eólicas despencou.

A situação política e econômica nacional, agravada pela crise global, levaram a Tecsis a rever os planos de investimentos no País. A construção de uma grande fábrica em Sorocaba para absorver as unidades atuais foi suspensa. A unidade de Itu, que surgiu em função desse projeto de expansão, foi desativada.

A perda de um grande cliente internacional, a norte-americana General Eletric (GE), que passou a fabricar suas próprias pás, teria contribuído para a crise da Tecsis. A empresa não se manifestou sobre os contratos suspensos, alegando razão estratégicas de mercado.

Trajetória. Criada nos anos de 1990 pelo engenheiro aeronáutico Bento Koike e outros dois sócios, a empresa recebeu em 2011 um aporte de US$ 460 milhões de um consórcio de investidores liderado pela butique de fusões e aquisições Estáter, de Percio de Souza. Com o investimento, o grupo passou a deter 80% do capital da companhia. Os recursos foram usados para financiar o crescimento acelerado esperado para os próximos anos.

À época, a Tecsis precisava equacionar suas dívidas de cerca de US$ 400 milhões, depois que boa parte das encomendas da empresa foi cancelada, em função da crise de 2008. Entre os anos de 2009 e 2011, o faturamento despencou e o número de funcionários caiu de 6 mil para 2,5 mil.

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