Após perdas com câmbio, Sadia quer rever meta de exposição

Em reunião com analistas, presidente do Conselho tenta tranquilizar o mercado e diz que perda será superada

Natalia Goméz, da Agência Estado,

30 de outubro de 2008 | 15h28

Depois de anunciar perdas milionárias com operações alavancadas com derivativos, a Sadia tentou nesta quinta-feira, 30, tranqüilizar o mercado e afirmou que pretende rever suas metas de exposição ao câmbio, que hoje prevêem um máximo de US$ 1,7 bilhão. A intenção é evitar que a companhia sofra novamente com oscilações cambiais bruscas e garantir que a variação dos ganhos com exportação compense as perdas financeiras.     Veja também: Entenda as operações de derivativos e suas conseqüências Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    A Sadia divulgou na quarta-feira prejuízo líquido consolidado de R$ 777,378 milhões no terceiro trimestre do ano, contra lucro de R$ 188,352 milhões no mesmo período do ano passado. Em reunião com analistas nesta quinta, o presidente do Conselho de Administração da companhia, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a perda registrada pela empresa com operações alavancadas com derivativos marcou a companhia, mas deve ser superada. "A Sadia ficou marcada com uma cicatriz, mas todos carregam alguma, e isso não impede de seguir a trajetória", disse.   Furlan, ex-ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Exterior, assumiu o cargo há três semanas no lugar da Walter Fontana Filho, que renunciou após anunciar que a empresa de alimentos registrou perdas de centenas de milhões de reais devido a operações com instrumentos financeiros derivativos. "Temos uma equipe de bombeiros cuidando disso diariamente", comentou Furlan.   Furlan afirmou que a Sadia pretende enquadrar sua exposição ao mercado de câmbio à meta estipulada pela companhia em até 10 meses. Segundo ele, este é o prazo de vencimento das posições da empresa em aberto no mercado futuro. Ele destacou, porém, que a Sadia quer fazer algumas liquidações antecipadas, de acordo com as condições do mercado.   A meta interna de exposição da Sadia ao câmbio é equivalente a seis meses de exportações, ou cerca de US$ 1,7 bilhão. A exposição, no entanto, está atualmente em US$ 2,36 bilhões. Antes de setembro, quando a empresa liquidou várias operações em derivativos, a posição vendida em dólar havia chegado a mais de US$ 8 bilhões, segundo o diretor de relações com investidores, Welson Teixeira Júnior.   A Sadia informou em setembro que sua diretoria financeira extrapolou o limite de exposição sem autorização do conselho. Segundo Furlan, a empresa não voltou imediatamente a se enquadrar na meta de US$ 1,7 bilhão porque tentou diminuir suas perdas. "Vamos eliminar os contratos, mas queremos custos razoáveis", disse, em reunião com analistas. Quando a Sadia eliminou parte dessa exposição, teve uma perda efetiva de R$ 653,2 milhões. Levando em conta perdas contábeis com a marcação a mercado de alguns ativos no exterior, a perda total foi de R$ 892 milhões e levou a companhia a um prejuízo de R$ 777,4 milhões no terceiro trimestre de 2008.   Segundo Teixeira Júnior, uma parcela de US$ 500 milhões da exposição ao câmbio vencerá amanhã. Ele ressaltou que as exportações anuais de US$ 3 bilhões ajudam a reduzir o impacto das perdas financeiras.

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