Após perder espaço nos últimos 2 anos, título atrelado à inflação ganha destaque

Investidores acreditam que ciclo de alta do juro básico está perto do fim

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2015 | 22h08

A expectativa de que o atual ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) já esteja se aproximando do fim deve mudar o perfil de investimento no Tesouro Direto. As corretoras passaram a reforçar a indicação de compra dos títulos indexados à inflação (como a NTN-B Principal), em detrimento do papel remunerado exclusivamente pela Selic em vigor na data de seu vencimento (LFT).

Nos últimos dois anos, a LFT ganhou a atenção dos investidores de curto prazo – atraídos pela expectativa de um consistente período de elevação do juro básico, que passou da mínima histórica de 7,25% ao ano para 12,25%. As vendas de LFT passaram de 7% do total em dezembro de 2012 para 29% no mesmo mês de 2014 (veja mais no gráfico ao lado). 

Agora, o cenário é outro. “Até onde vai a alta do juro básico? Ninguém sabe”, pondera o consultor de investimentos da corretora Geração Futuro, Stefanno Rocco. “Fica o risco da dúvida. O investidor pode escolher entre a maior segurança da taxa prefixada mais a proteção contra a inflação, oferecida pela NTN-B, ou correr risco de menor rendimento com a LFT”, diz.

A expectativa do mercado, segundo o relatório Focus, do Banco Central, é de que a Selic termine 2015 em 12,5% ao ano e baixe para 11,5% em 2016. A pesquisa não faz previsões para 2017 – ano de vencimento da LFT comercializada pelo Tesouro Direto. 

O Banco Central vem dando indicações de que o ajuste das contas públicas vai complementar a política de controle da inflação, aliviando a pressão sobre a Selic. 

Juro futuro. Depois de muita volatilidade no período eleitoral e alta em dezembro, as taxas de juros da NTN-B Principal com vencimento em 2019 apresentaram queda em janeiro. O quadro indica a confiança dos investidores de que os juros futuros serão menores. “Ainda vamos ter volatilidade alta até que se tenha uma sinalização mais clara do que o Banco Central vai fazer daqui em diante”, diz Daniel Lemos, diretor de renda fixa da corretora XP. “É diferente de quando há uma tendência clara de ciclo de alta ou baixa de juros. Hoje temos menos incertezas políticas, mas dúvidas maiores sobre como a atividade econômica vai se comportar.”

Por ter o vencimento em prazo mais longo, os títulos do Tesouro Direto indexados à inflação são mais indicados para o investidor que busca uma estratégia de médio ou longo prazos – como, por exemplo, para a compra de imóvel ou renda para a aposentadoria. Na NTN-B Principal, cujo rendimento é pago somente no resgate, o primeiro vencimento é em 2019, com taxa de compra prefixada em torno de 5,8%, mais a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já para a NTN-B, que tem pagamento semestral de cupom de juros, o primeiro prazo é 2020 – o mais longo, 2050. 

Além dos títulos indexados à inflação, os títulos prefixados (LTN) também ganham força no atual cenário. Na LTN, o investidor sabe exatamente o que vai receber no momento do resgate. O papel vendido hoje vence em 2017 ou 2018, com taxa de compra em torno de 12%. 

Venda antecipada. O investidor não é obrigado a manter o título até o vencimento. O Tesouro Direto garante recompra todas as quartas-feiras. Apesar da liquidez, em geral os analistas não indicam uma estratégia especulativa, por causa do risco envolvido. Como na data de recompra o Tesouro paga a taxa de mercado, o investidor corre o risco de perder rendimento. Quando o juro cai, o preço do título sobe, e vice-versa. A exceção é a LFT, que é corrigida diariamente pela Selic.

Quem não espera o vencimento também antecipa a cobrança do Imposto de Renda, que segue a tabela regressiva. Segundo o Tesouro, na média dos últimos dois anos, somente 5,4% dos investidores se desfizeram do título antes do vencimento. 

“Independentemente de a Selic subir, as taxas do Tesouro estão atrativas e já pagam mais de 1% ao mês”, diz Roberto Indech, da corretora Rico.

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