ADEK BERRY/AFP
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Dólar volta a cair com cenário externo e termina dia em R$ 4,13

Já o Ibovespa, principal índice de ações do País, caiu 0,19% nesta quarta-feira, em que investidores aproveitaram para embolsar os lucros obtidos em três dias seguidos de alta

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2018 | 11h29
Atualizado 19 Setembro 2018 | 18h49

O dólar perdeu força no exterior, recuando nesta quarta-feira, 19, ante várias divisas de emergentes, como Argentina, África do Sul, México e Turquia. Aqui, a moeda americana voltou a cair e fechou em R$ 4,1308, queda de 0,32%.

O cenário político seguiu no radar das mesas, mas acabou influenciando menos os negócios, com a nova pesquisa do Ibope confirmando o que outros levantamentos vinham mostrando, a possibilidade de um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O próximo levantamento que será divulgado é o do Datafolha, que sai na madrugada desta quinta-feira, 20.

 

Com o ambiente mais calmo lá fora e sem maiores notícias na política no mercado doméstico, operadores ressaltam que investidores, muitos deles estrangeiros, optaram por vender dólar. Com isso, a moeda chegou a cair para R$ 4,10. Para o diretor da mesa de clientes do banco Standard Chartered, Rafael Biral, os estrangeiros apostavam em uma desvalorização maior do real, com o temor de avanço mais forte de uma candidatura de esquerda.

Mas os últimos levantamentos vêm mostrando a consolidação entre Bolsonaro e Haddad e o mercado se apegou a agenda mais liberal do economista do militar reformado, Paulo Guedes.

"Os mercados ainda acreditam que Bolsonaro é a alternativa menos pior para a economia brasileira", afirma o economista sênior da Pantheon Macroeconomics, Andrés Abadia. O economista observa que Haddad tem feito um esforço para se mostrar mais "moderado" aos investidores. "Mas os mercados vão precisar ver sinais mais claros nessa direção", completa. O risco, para ele, é se Haddad não conseguir passar essa imagem e vencer as eleições, o dólar pode disparar. 

O forte crescimento de Haddad na Pesquisa do Ibope (de 8% para 19%) fez o dólar abrir a quarta-feira mais tenso, chegando a bater em R$ 4,17. Mas o movimento durou pouco e a moeda acabou reduzindo a alta, ficou um tempo oscilando perto da estabilidade e engatou queda em seguida. Biral ressalta que enquanto o mercado não tiver uma convicção mais firme sobre o resultado da eleição, o dólar não deve mudar de patamar, que atualmente está na casa dos R$ 4,10 a R$ 4,20.

 

Bolsa não consegue emplacar quarta alta

O Ibovespa ensaiou registrar sua quarta alta consecutiva, mas sucumbiu a um movimento de realização de lucros, terminando o dia com leve desvalorização. O índice alternou sinais ao longo do dia e terminou a sessão aos 78.168,66 pontos, com baixa de 0,19%

Apoiado no desempenho majoritariamente positivo das bolsas de Nova York e no ambiente eleitoral ligeiramente mais otimista, o índice chegou a subir até 0,90% no início da tarde. 

Da última sexta-feira até a terça-feira, o Ibovespa contabilizou ganho de 4,86%. Alguns papéis foram bem além desse patamar, como Petrobrás, Eletrobrás e Banco do Brasil, por exemplo. A percepção de menor risco político nos últimos dias contribuiu para alavancar essas ações nos últimos dias. No caso de Petrobrás, contou ainda a recuperação dos preços do petróleo. Hoje, Petrobrás PN caiu 1,33%, enquanto Eletrobrás PNB recuou 4,53% e Banco do Brasil ON, 1,01%.

"Era natural que depois das altas recentes, que somaram quase 5%, o Ibovespa acabasse passando por uma realização. Os ganhos foram resultado quase que totalmente de dois fatores: alta dos preços do petróleo e melhora do cenário de eleição", disse Filipe Fradinho, Research da Ativa Investimentos.

Para Fradinho, além da sinalização de consolidação de Jair Bolsonaro (PSL) na liderança das intenções de voto, houve também algum alívio com a estagnação de Ciro Gomes (PDT), que aparece atrás do candidato petista, Fernando Haddad (19%).

A ideia de criação de um novo imposto, nos moldes da CPMF, defendida por Paulo Guedes, assessor econômico de Jair Bolsonaro, gerou ruído no noticiário, mas não impactou os negócios na Bolsa. "O mercado já enxerga o segundo turno se desenhando mais claramente, com Bolsonaro e Haddad à frente. Agora, deve esperar as novas pesquisas para avaliar o desempenho dos dois", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.

Com o resultado desta quarta-feira, o Ibovespa passa a contabilizar alta de 1,94% em setembro e ganho de 2,81% em 30 dias.

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