Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Bolsa beira os 72 mil pontos após PIB favorável e dados de emprego nos EUA

Índice Bovespa fechou em alta de 1,54%, aos 71.923 pontos, maior patamar desde 5 novembro de 2010; dólar recuou 0,13%, aos R$ 3,14

Karla Spotorno e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 11h56
Atualizado 01 Setembro 2017 | 23h54

Após a divulgação do PIB brasileiro e dos dados de emprego dos Estados Unidos, a Bovespa fechou em alta de 1,54% aos 71.923 pontos nesta sexta-feira, 1. Os resultados dos dois indicadores são favoráveis para os ativos brasileiros. O primeiro indica que as projeções mais otimistas do mercado financeiro sobre a atividade econômica foram confirmadas. O segundo indicador sinaliza que o mercado de trabalho americano está fraco, o que não permitiria que o Fed venha a endurecer sua política monetária e, assim, enxugar a liquidez global. 

A última vez em que o Ibovespa havia ficado acima desse patamar durante um pregão foi no dia 5 de novembro de 2010, quando marcou 72.606 pontos no fechamento do pregão. 

Nesta sexta-feira, 1, a cotação do do dólar recuou 0,13%, e encerrou o pregão valendo R$ 3,14. 

O IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 0,2% ante o primeiro trimestre do ano e 0,3% na comparação com o mesmo período de 2016, puxado pelo consumo das famílias – que cresceu pela primeira vez (1,4%) em nove trimestres.

O resultado do PIB ficou acima da mediana das estimativas captadas pelo Projeções Broadcast (zero) e animou analistas a elevarem suas expectativas para o crescimento da economia no ano. "O que se imaginava que poderia ser muito negativo para a economia acabou não acontecendo", disse o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, que elevou de 0,5% para 0,7% a estimativa para o PIB de 2017. O economista afirmou que se surpreendeu positivamente com o crescimento da economia pelo fato de a expansão ter ocorrido em meio a uma crise política sem precedentes, iniciada em maio.

No exterior, o ritmo de contratação nos EUA desacelerou em agosto em relação a julho, considerando-se ajustes sazonais, segundo dados publicados pelo Departamento de Trabalho do país. A economia norte-americana gerou 156 mil postos de trabalho no mês passado, resultado que ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam criação de 179 mil empregos.

Após atingir máximas do dia em reação ao fraco relatório de emprego dos EUA referente a agosto, o euro passou a se enfraquecer na esteira de relatos da agência de notícias Bloomberg de que o Banco Central Europeu (BCE) pode não estar pronto para chegar a uma decisão final sobre o programa de relaxamento quantitativo (QE) do ano que vem até dezembro. Grosso modo, a indecisão da autoridade europeia sinaliza que a liquidez global seguirá alta.

Os dados positivos do mercado financeiro são uma reação direta aos números do PIB, que vieram acima das expectativas do mercado. “A grande mensagem do PIB é que chegou a primavera depois de um longo inverno. A recessão acabou e o futuro é promissor. A recuperação está se generalizando na economia, como mostram os dados de varejo, confiança, de mercado de trabalho, por exemplo”, disse o economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho.

Para Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, o resultado do PIB do segundo trimestre reforça a perspectiva de que a reação da economia deverá ganhar tração nos próximos meses. “Estamos vendo os reflexos do reequilíbrio macroeconômico.”

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