Alexandre Motta/ Assessoria da deputada Paula Belmonte
Alexandre Motta/ Assessoria da deputada Paula Belmonte

Após polêmica sobre auditoria, presidente do BNDES e equipe vão a Brasília para dar explicações

A primeira rodada de conversas ocorreu na Controladoria-Geral da União (CGU) e seguiu no início da tarde na Câmara dos Deputados e no Tribunal de Contas da União

Patrik Camporez e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 17h16

BRASÍLIA - Uma comitiva formada por executivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), incluindo seu presidente, Gustavo Montezano, desembarcou em Brasília nesta segunda-feira, 27, numa peregrinação para dar explicações sobre a auditoria de R$ 48 milhões que prometia abrir a caixa-preta das operações com a JBS.

A primeira rodada de conversas ocorreu na Controladoria-Geral da União (CGU) e seguiu no início da tarde na Câmara dos Deputados e no Tribunal de Contas da União. Diante da agenda movimentada, os executivos do banco se dividiram entre os compromissos.

Segundo a agenda oficial do BNDES, Montezano foi ao TCU para conversar com o ministro Aroldo Cedraz. Na semana passada, o ministro Augusto Sherman deu 20 dias para o banco das mais detalhes sobre os gastos com a auditoria - e seguirá para o Ministério da Economia, onde se encontra com o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, e o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, para “alinhamento institucional”.

O BNDES gastou R$ 48 milhões com uma auditoria externa que prometia abrir a caixa-preta em operações relacionadas ao grupo J&F, que controla a JBS. O valor final do trabalho surpreendeu o ex-presidente da instituição Paulo Rabello de Castro, que disse ter fechado um contrato inicial que custava cerca de 25% desse valor. O Estado revelou que um dos dois aditivos ocorreu já na gestão de Montezano.

Assim que o caso foi revelado pelo Estado, no início da última semana, representantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES na Câmara encaminharam um ofício ao banco cobrando explicações. Os parlamentares queriam saber, especialmente, por que Montezano não informou à CPI, ao longo do ano de 2019, que uma auditoria milionária estava sendo realizada no banco público.

O diretor de Assuntos Jurídicos do BNDES, Saulo Puttini, o diretor de Compliance do banco, Claudenir Brito Pereira, e o chefe de gabinete da Presidência, Bruno Aranha, se encontraram hoje pela manhã com o ministro da CGU, Wagner Rosário. Puttini e Aranha também foram os emissários de Montezano ao Congresso Nacional.

O presidente do BNDES, por sua vez, decidiu ir pessoalmente às reuniões no TCU e no Ministério da Economia.

Na Câmara, os emissários do banco falaram por pelo menos 40 minutos. Os representantes do Banco afirmaram que a empresa de auditoria foi contratada na gestão de Rabello e que, conforme a demanda da investigação e seu escopo foram crescendo, foi aumentando o valor do contrato.

A vice-presidente da CPI, Paula Belmonte (Cidadania-DF), que elaborou os questionamentos feitos ao BNDES sobre a auditoria, disse que os representantes da Comissão Parlamentar deverão se reunir nas próximas semanas para definir quais providências serão tomadas em relação ao tema.

“A gente sabe que tem caixa-preta. Com essa auditoria, eles deram argumento para a oposição se valer de uma história que não é real. E essa auditoria é inconclusiva. O BNDES reconhece”, destacou.

À parlamentar, os representantes do BNDES garantiram que a pretensão da auditoria “nunca foi” desqualificar ou diminuir os trabalhos da CPI ou do TCU, que têm apontado em acórdãos e relatórios diversos indícios de irregularidades.

“A própria empresa de consultoria deixou claro que ela não teve acesso a alguns tipos de informação. Exatamente as informações às quais o TCU e nós, da CPI, tivemos acesso. Temos informações sob sigilo que passamos direto para o ministro Sérgio Moro, pela importância que elas tinham. Temos informação real e concreta dessa situação toda”, disse Paula. 

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