Após polêmica, Stephanes diz que quer estar no cargo em 2010

Ministro da Agricultura faz discurso em Brasília e sinaliza que pretende continuar à frente da pasta

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

28 de julho de 2008 | 17h10

Em discurso durante a solenidade de comemoração dos 148 anos do Ministério da Agricultura, o ministro Reinhold Stephanes sinalizou que pretende continuar à frente do ministério, apesar do mal-estar com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que conduz em Genebra as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Espero estar aqui para comemorar os 150 anos do ministério", afirmou. Veja também:Stephanes 'deve achar que estou me divertindo', diz Amorim'Não acredito em Doha', diz Stephanes'As coisas vão acontecer', diz Lula sobre DohaEntenda o que está em jogo na Rodada Doha da OMC O mal-estar surgiu em conseqüência da reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à recente entrevista de Stephanes ao Estado, na qual o ministro afirmou que a negociação da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, "não serve para nada". Lula disse, em Lisboa, que a declaração de Stephanes "não tem influência na OMC". E Amorim também reagiu: "Pensa que estou aqui (em Genebra), me divertindo?" Nesta segunda-feira, 28, Stephanes evitou fazer análises mais profundas sobre as negociações que acontecem em Genebra. "Eu não quero mais opinar sobre isso, porque tem um ministro tratando disso", afirmou, referindo-se ao ministro das Relações Exteriores. Stephanes justificou a decisão de não comentar mais o assunto observando que "o Ministério da Agricultura tem representação lá" - uma referência ao secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, que acompanha, em Genebra, as discussões na OMC.  A uma pergunta sobre a possibilidade de representarem um avanço as mais recentes movimentações dos negociadores em Genebra, o ministro disse apenas: "Vamos esperar mais dois dias." Stephanes concordou, no entanto, com a avaliação de que o fim dos subsídios beneficiaria o Brasil. "O que se espera é a liberalização do comércio internacional em relação à agricultura, o que trará vantagens ao Brasil, que é um país altamente competitivo em termos de custo de produção", afirmou.  "Nós temos alta produtividade, produção e capacidade de competir. Evidentemente, se outros países, como Estados Unidos e União Européia, impõem barreiras aos nossos produtos, subsidiam seus produtores internos, além deles dificultarem a eficiência dos países produtores, inclusive de outros países que poderiam participar bem desse mercado, o Brasil também é prejudicado", afirmou. Ele também disse que um acordo envolvendo o comércio de etanol, como oferecido pela União Européia ao Brasil, é bom, mas lembrou que é preciso colocar o acordo em prática. O ministro da Agricultura lembrou que o custo de produção do etanol na Europa é três vezes superior ao brasileiro. Nos Estados Unidos, é o dobro. "A retirada de barreiras facilitaria muito para o Brasil, mas evidentemente o que a gente observa é que esses países não estão muito dispostos a diminuir as barreiras", afirmou. Ele disse também que é preciso avaliar as propostas que estão sendo oferecidas pelos países ricos. "Agora precisamos ver qual é o grau de exigência que esses países vão fazer em termos de concessão. Isso precisa ser pesado".  'Integração perfeita' Stephanes aproveitou para enfatizar a "integração perfeita" entre seu ministério e o homem do campo. "Em todos os lugares, sou sempre homenageado antes de discursar", afirmou. Stephanes lembrou que nem sempre a vida de ministro foi fácil e citou as "reclamações" dos tempos do Ministério da Previdência. O ministro da Agricultura comentou a decisão da União Européia de habilitar novas fazendas para exportação de carne, decisão anunciada na semana passada. "Nós precisamos habilitar mil, duas mil, três propriedades", disse. "O importante é que a União Européia está com seu mercado aberto para o Brasil, o que não contamina outros mercados", completou. Ele lembrou que outros 150 países compram carne do Brasil, além dos 27 integrantes do bloco.

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