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Após prejuízo, Nissan anuncia 20 mil demissões

Grupo deve registrar sua primeira perda anual desde que Carlos Ghosn assumiu o comando

, O Estadao de S.Paulo

10 de fevereiro de 2009 | 00h00

A montadora japonesa Nissan, que pertence ao grupo francês Renault, anunciou ontem planos de cortar mais de 20 mil postos de trabalho em todo o mundo, deslocar a produção para fora do Japão e buscar a ajuda dos governos do Japão, Estados Unidos e outros países, como parte de um novo e amplo esforço para enfrentar a crise econômica. É o maior plano de demissões anunciado por uma montadora japonesa na atual crise.Terceira maior fabricante de automóveis do Japão em volume de vendas - atrás da Toyota e da Honda -, a Nissan também suspendeu a meta de crescer anualmente 5% na receita até 2012, que era um compromisso fundamental de seu plano administrativo. A companhia vai ainda reduzir à metade o número de dias de operação em suas fábricas no Japão em fevereiro e março, de 20 para 10.O novo programa de recuperação surgiu no momento em que a montadora revelou um prejuízo de US$ 909,6 milhões em seu terceiro trimestre fiscal, encerrado em 31 de dezembro. O resultado contrasta com o lucro de US$ 1,44 bilhão no mesmo período do ano anterior. Foi o primeiro prejuízo desde que começou a divulgar dados trimestrais, em 2003.Para este ano fiscal, que se encerra em março, a Nissan prevê um prejuízo líquido de US$ 2,9 bilhões - o primeiro resultado anual negativo desde 2000. É também o primeiro prejuízo desde que o brasileiro Carlos Ghosn assumiu o comando da companhia, em 2000, quando a tirou da beira da falência - a empresa havia apresentado prejuízos nos sete anos anteriores. Para Ghosn, porém, o momento é bem diferente. "Naquela época, estávamos sozinhos. Este ano, todo mundo está sofrendo os efeitos da crise", disse.Dos 20 mil empregos que serão cortados pela empresa, 12 mil serão no Japão, e o restante nas operações do grupo na Europa e nos Estados Unidos. A companhia, porém, não indicou as demissões por região. Os cortes devem ser efetuados até março de 2010. Como suas rivais japonesas, a Nissan tem sido afetada pela valorização do iene, que diminui seus ganhos no exterior e aumenta o custo dos veículos. Mas a Nissan é a primeira montadora japonesa a anunciar grandes planos de deslocar a produção - e os empregos - do Japão para mercados de custo mais baixo, a fim de escapar do impacto da alta do iene.Mamoru Katou, analista da Tokai Tokyo Research, disse estar pessimista em relação à recuperação da Nissan. Segundo ele, as rivais Toyota e Honda, que têm projetos de veículos híbridos - movidos a gasolina e eletricidade - para serem lançados ainda este ano, estão mais bem posicionadas para aumentar as vendas quando o mercado começar a melhorar. Além disso, a estratégia da empresa de cortar empregos no Japão e deslocar parte da produção para o exterior pode diminuir a popularidade da marca em seu mercado doméstico. "O corte de empregos vai afetar as fabricantes de autopeças japonesas, também, e, no longo prazo, reduzir o valor da marca Nissan no Japão", disse.A Toyota, que projeta um prejuízo de US$ 3,85 bilhões no ano fiscal que termina em março - sua primeira perda desde 1950 -, está reduzindo o número de empregados temporários no Japão dos 8,8 mil de junho para cerca de 3 mil em março. Já a Honda, que ainda prevê um lucro de US$ 879 milhões no ano, prevê eliminar até abril todos os seus 3,1 mil empregos temporários.A Nissan, por sua vez, já eliminou cerca de 2 mil postos de trabalho temporários no Japão e anunciou planos para mais cerca de 4 mil na Espanha e nos EUA. O grupo anunciou em janeiro que deslocaria a produção do March, seu carro compacto mais vendido, para a Tailândia. NÚMEROSUS$ 909 milhões foi o prejuízo da Nissan no trimestre encerrado em dezembro. A empresa projeta uma perda de US$ 2,9 bilhões no ano fiscal que se encerra em março12 mil dos 20 mil empregos a serem cortados pela empresa serão nas fábricas japonesas, e o restante em fábricas nos EUA e na Europa

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