André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Após protesto de suplente, ministro do Trabalho é exonerado para votar pela reforma trabalhista

Mais cedo, os ministros Bruno Araújo (Cidades), Mendonça Filho (Educação) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) já haviam sido exonerados; nome de Nogueira já consta no painel da Câmara

Isadora Peron, Carla Araújo, Fernando Nakagawa, Daiene Cardoso e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 19h51

BRASÍLIA - O ministro do Trabalho, deputado licenciado Ronaldo Nogueira (PTB), foi exonerado de última hora do cargo para voltar à Câmara e reforçar os votos favoráveis à reforma trabalhista. O ato foi registrado em uma edição extra do Diário Oficial da União publicado na tarde desta quarta-feira (26).

A medida foi tomada após o suplente do ministro, o deputado Assis Melo (PCdoB-RS), se vestir de soldador e protestar contra o projeto no plenário. A manifestação, que paralisou a sessão, irritou deputados governistas, que começaram a articular com o Palácio do Planalto a exoneração de Nogueira.

Mais cedo, os ministros Bruno Araújo (Cidades), Mendonça Filho (Educação) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) já haviam sido exonerados para reforçar a votação.

O nome de Nogueira já consta no painel da Câmara. O ministro do Trabalho, porém, tem feito críticas ao projeto substitutivo do relator Rogério Marinho (PSDB-RN), que ampliou o texto enviado pelo governo. Ele é contra, por exemplo, ao fim do imposto sindical. Questionado sobre essas críticas, um deputado próximo ao presidente Michel Temer disse que era bom o ministro votar com o governo, especialmente se quisesse permanecer no cargo.

Elogios. No plenário, Nogueira disse que os parlamentares são responsáveis pela atual situação do mercado de trabalho, onde há mais de 10 milhões de desempregados. "A proposta da reforma é fundamental para que o Brasil reconquiste a capacidade de gerar empregos", disse o ministro exonerado temporariamente para ajudar o governo a tentar aprovar a reforma. O discurso foi interrompido por um apitaço de parlamentares contrários à mudança na legislação trabalhista.

Nogueira argumentou que nenhum direito da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) está amealhado. "A proposta não tira direitos do trabalhador", disse no discurso na Câmara. Para Nogueira, o presidente Michel Temer é "corajoso" ao apresentar a proposta de reforma trabalhista. A coragem, explicou o parlamentar, é evidente porque Temer não pensa na popularidade de curto prazo e apoia a reforma de olho no futuro.

"Quem aposta no insucesso do Brasil, vai errar. A verdade vai se manifestar quando essa Casa aprovar a reforma", disse Nogueira. "É pelos desempregados que estamos fazendo esse enfrentamento, para gerar empregos", completou.

Durante o discurso, Ronaldo Nogueira foi interrompido por um apitaço organizado pelos parlamentares da oposição que são contrários à mudança na legislação trabalhista. Após alguns segundos de protesto, Nogueira voltou a fazer o discurso com a afirmação de que não se pode esperar educação de quem não a tem. 

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