Após queda, bolsas da Ásia dão sinais de recuperação

Melhora é atribuída à saúde financeira da região, apesar de temores de crise nos EUA.

Marina Wentzel, BBC

17 de janeiro de 2008 | 09h30

Os mercados da Ásia deram sinais de recuperação nesta quinta-feira registrando resultados mistos, após a grande queda generalizada do dia anterior.Ao longo desta quinta-feira, as bolsas oscilaram entre o positivo e o negativo, mas a maioria conseguiu reverter a tendência pessimista causada pelos temores de que a economia americana possa entrar em recessão neste ano.Investidores aguardam o encontro do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, com o comitê orçamentário do Congresso americano, que poderá resultar no anúncio de um pacote de medidas para estimular a economia do país.Além da expectativa sobre os Estados Unidos, parte da recuperação observada nesta quinta-feira nas bolsas da Ásia é abribuída ao movimento de investidores aproveitando o preço baixo das ações e à divulgação por bancos de previsões otimistas para a região em 2008.Em Hong Kong, o banco Morgan Stanley anunciou que espera ver o índice Hang Seng se valorizar em até 22% ainda neste ano e recomendou investimentos em ações de empreiteiras e bancos locais, o que fez com que o índice encerrasse em alta de 2,72%.Recuperação"A recuperação é natural após uma queda dramática, mas a volatilidade ainda está longe do fim", disse Nicholas Kwan, economista-chefe do banco Standard Charter, em Hong Kong, à BBC Brasil.Kwan avalia que as empresas da Ásia estão bem e que o crescimento na região será capaz de amortecer os efeitos de uma possível recessão nos Estados Unidos.Entretanto, o mercado financeiro deve continuar a ser contagiado, mesmo se as empresas asiáticas obtiverem um bom desempenho em 2008 e se mostrarem capazes de se recuperar da eventual queda nas exportações aos Estados Unidos, afirma Kwan."Uma boa parte do dinheiro aplicado aqui na Ásia vem de instituições financeiras internacionais com laços nos Estados Unidos", diz o economista. "Quando acabar o dinheiro lá, elas terão de utilizar o que está por aqui e vão acabar retirando os investimentos.""Como os Estados Unidos são fonte de boa parte desses recursos, em um cenário de recessão americana, os mercados financeiros emergentes verão menos capital circulando", acrescentou Kwan.AltaAlém de Hong Kong, Tóquio, Cingapura e Seul também obtiveram resultado positivo. O índice Nikkei fechou em alta de 2,07%, o Strait Times registrou 2,66% e o Kospi, 1,09%. Os mesmo não foi observado na Austrália e na Nova Zelândia. O S&P/ASX 200 de Sidney caiu 0,2% e o NZX 50 encerrou o pregão em baixa de 0,6%.Na China continental, o índice composto da bolsa de Xangai, o SSE Composite, fechou em baixa de 2,63% nesta quinta-feira.No dia anterior, o governo anunciou o aumento do depósito compulsório dos bancos no país.As instituições financeiras terão de manter 15% dos recursos em caixa, o que vai ajudar a combater o excesso de liquidez na economia chinesa e conter pressões inflacionárias que ameaçam a economia.Essa é 11ª vez que o governo eleva a porcentagem de depósito desde o começo de 2007.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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