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Após queda, inflação volta a subir no País

A inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aumentou em julho, tomando como base junho. O dado, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a taxa passou de queda de 0,21% para aceleração de 0,19%. Apesar da aceleração e de vir acima da expectativa de analistas de mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que era de 0,15%, no acumulado dos últimos 12 anos a taxa está em 3,97% - abaixo da meta de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional.Conforme o instituto, o aumento foi puxado pelo aumento nos preços dos transportes (0,37%), alimentos (0,09%) e empregados domésticos (1,18%). Nos transportes, um destaque foi a gasolina, com aumento médio de 0,81%, em razão principalmente da alta ocorrida em Brasília (5,75%), Goiânia (4,51%) e nas regiões metropolitanas de Curitiba (3,33%) e Fortaleza (2,47%). No álcool combustível, a alta foi de 1,04%, sob influência de São Paulo (3,21%), Goiânia (1,76%) e Brasília (1,43%). Embora em período de safra da cana-de-açúcar, os preços do álcool têm se mostrado mais elevados, com impacto sobre a gasolina.Ainda em transportes, subiram as tarifas dos ônibus interestaduais (6,64%) e dos intermunicipais (3,14%). Nos interestaduais (6,64%), embora o reajuste médio tenha sido de 9,27%, a partir do dia 09 de julho, algumas linhas eliminaram os descontos que vinham promovendo e, em Brasília, por exemplo, a alta chegou a 17,27%. No caso dos intermunicipais, o resultado foi definido basicamente pela região metropolitana do Rio de Janeiro, cujas tarifas aumentaram 11,81%, reflexo do reajuste médio de 13,47% a partir de 08 de julho.No caso do grupo alimentação e bebidas, foi constatada certa estabilidade de preços no mês de julho (0,09%), ao passo que no mês anterior havia ocorrido queda (-0,61%). Embora os preços de grande parte dos alimentos continuem caindo, as frutas (8,14%) e o arroz (4,33%) se destacaram pela alta e pressionaram o resultado.Nova metodologia O índice de julho é a primeiro calculado pelo IBGE com a nova estrutura de pesos, que incorpora os resultados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2002-2003. Com a nova base, alguns grupos ganham maior peso, como telecomunicações, e outros perdem, como álcool combustível e aluguel. Inflação maior A inflação de julho teria sido mais alta, caso o IBGE não tivesse modificado a base de cálculo com mudanças de peso de vários itens que compõem a taxa. Como os dois grupos que mais pressionaram a taxa em julho, que são transportes e alimentos, perderam peso na nova metodologia em relação a anterior, a mudança acabou beneficiando a inflação no mês.A coordenadora de índices de preços, Eulina Nunes dos Santos, alertou que "nenhuma estrutura fará com que ao longo do tempo a inflação seja maior ou menor, depende das influências em determinados períodos". Eulina admite que o resultado de julho poderia ter sido mais alto com a base antiga, mas garante que "não seria nada substancial".O grupo de transportes, que tinha peso de 22,63% no cálculo da taxa na base anterior, reduziu para 20,97%. No caso do grupo alimentação e bebidas, o peso foi reduzido de 21,24% para 20,30%.Agosto O comportamento da inflação medida pelo IPCA em agosto vai depender dos preços livres, segundo observou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE. Segundo ela, além dos preços livres haverá também resíduos da deflação registrada em julho nas tarifas de energia elétrica e telefone. O reajuste de 4% na taxa de água e esgoto no Rio de Janeiro também terá algum impacto na taxa. "Agosto, tradicionalmente, era marcado por um conjunto de reajustes de tarifas. Mas agora os reajustes de tarifas são pequenos ou negativos, então a inflação dependerá sobretudo dos preços livres", disse. Para Eulina, a persistente redução da inflação acumulada em 12 meses desde janeiro deste ano confirma que a indexação e a cultura inflacionária estão sendo eliminadas do País.INPC O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) , que mede a inflação para a camada de renda mais baixa de renda da população, ficou em 0,11% em julho, ante -0,07% em junho. No ano, acumula alta de 1,18% e, em 12 meses, de 2,87%. Este texto foi atualizado às 16h02.

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