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Cenário externo melhora e dólar fecha em queda de 0,9%, cotado a R$ 3,705

No mercado de ações, o Ibovespa, principal índice do País, recuperou parte das perdas recentes e subiu 1,23%

Barbara Nascimento, Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 11h46
Atualizado 25 de outubro de 2018 | 18h17

Com um cenário doméstico sem notícias fortes, o câmbio respondeu nesta quinta-feira, 25, sobretudo ao exterior. Após alta de 1% de quarta-feira, o dólar fechou em queda de 0,88% frente ao real, cotado a R$ 3,7052. No mercado de ações, o Ibovespa fechou em alta de 1,23%, aos 84.083,51 pontos, impulsionado pelos resultados das empresas divulgados nos Estados Unidos.

Segundo operadores, a melhora do mercado externo diminui a cautela ante o real. Exportadores e algumas tesourarias entraram vendendo dólar desde os primeiros negócios, segundo um diretor de tesouraria. Apesar da venda de dólares, este profissional ressalta que faltando apenas um pregão para a eleição, os investidores seguem cautelosos. Por esse motivo, quando o dólar caiu a R$ 3,6817, a mínima do dia, atraiu compradores e voltou ao patamar de R$ 3,70, nível que deve seguir nos negócios desta sexta-feira.

Movimento similar ao brasileiro foi visto nos demais emergentes: o dólar caía também frente às moedas de Argentina, México, Chile e Turquia no fim da tarde. No entanto, subia frente ao índice DXY, cesta de moedas fortes. "A leitura do movimento lá fora ainda é muito nebulosa. Existe uma série de fatores afetando os mercados internacionais, desde a guerra comercial, passando pelos balanços das grandes empresas, até a situação fiscal da Itália e o Brexit, na Europa", aponta o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado.

Ele afirma que os mercados mundiais trabalharam nesta quinta-feira também em um movimento de correção em relação à deterioração de quarta. Além disso, colaborou para a suavização do cenário externo a expectativa em relação aos balanços de grandes empresas. "Houve uma redução da aversão ao risco, ao menos provisória, tendo em vista que ainda temos uma série de variáveis pendentes", completa o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior.

Internamente, apesar de a consolidação do nome de Jair Bolsonaro - "adotado" pelo mercado - na liderança da disputa para a Presidência da República contribuir para o bom humor interno, Machado pondera que não há noticiário forte o suficiente para refletir variações importantes nos preços. "A cena interna está de lado, o mercado acredita que já não há mais muita insegurança em relação às eleições", aponta.

O estrategistas do banco espanhol BBVA acreditam que o dólar deve terminar o ano na casa dos R$ 3,80. Para eles, o próximo presidente deve conseguir tocar um ajuste fiscal, mas não tão "profundo" quanto seria o necessário. Com isso, o dólar deve ter dificuldade em cair abaixo do nível atual, especialmente quando se considera um cenário exterior que promete ser mais desafiador. Após a rápida queda da moeda este mês, o banco avalia que o período pós-eleitoral pode ser marcado por maior volatilidade no câmbio, a medida que saiam mais detalhes da agenda do novo presidente e os nomes da equipe econômica, que podem agradar ou não os agentes.

Ibovespa sobe 1,23%

O cenário internacional favoreceu a recuperação de parte das perdas da véspera e o Ibovespa fechou em alta de 1,23%, aos 84.083,51 pontos. Na quarta-feira, houve queda de 2,62%. A três dias da eleição presidencial no Brasil, o ambiente  doméstico é de compasso de espera e pouco interfere nos negócios com ações, dizem analistas e operadores. Os negócios somaram R$ 15,8 bilhões.

A Bolsa já iniciou o dia com viés comprador, apoiada na melhora do apetite por risco no mercado internacional. Na máxima do dia, registrada à tarde, o Ibovespa chegou a subir 2,13%, aos 84.830,92 pontos. Apesar da cautela dos investidores estrangeiros com questões diversas relacionadas à economia global, balanços corporativos divulgados nos Estados Unidos impulsionaram os índices de ações locais, com destaque para o Nasdaq, que avançou 2,95% no fechamento. 

"A queda de ontem (quarta-feira) foi exagerada, refletindo o mau humor externo e em parte a pesquisa Ibope indicando queda de dois pontos de Jair Bolsonaro. Hoje muitos investidores tiveram de correr atrás da recuperação vista lá fora", disse Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Ideias de Investimento. Para ele, o cenário político já está bastante precificado e, uma vez confirmada a vitória do candidato do PSL, a tendência para o Ibovespa é de alta no curto prazo.

Ainda segundo Bevilacqua, a definição do próximo presidente tem potencial para restabelecer o fluxo de recursos externos na Bolsa brasileira, que nos últimos dias tem sido negativo. A ressalva fica com o cenário internacional, que exibe incertezas quanto à política monetária dos Estados Unidos, crises na Europa e atritos comerciais com a China. 

Na análise por ações, as altas foram generalizadas entre as blue chips, não apenas entre aquelas sensíveis ao risco político, mas também entre os papéis que acompanham commodities ou índices setoriais internacionais. Petrobras ON e PN subiram 2,08% e 2,49%. Banco do Brasil ON avançou 2,56% e Eletrobras ON e PNB ganharam 3,86% e 2,69%, respectivamente. A maior alta do Ibovespa ficou com Cemig PN, que disparou 7,12%, num desempenho atribuído às perspectivas com a eleição estadual em Minas Gerais, onde Romeu Zema (Novo), favorável à privatização, lidera as intenções de voto. 

O início da safra de balanços corporativos atingiu ações individualmente. Vale ON avançou 0,33%, alinhada à alta de 1,75% do minério de ferro e após um balanço trimestral sem grandes novidades em relação ao esperado. Já Ambev PN apresentou resultado dentro do esperado, mas apontou vendas menores no Brasil. Com isso, caiu 5,60%, liderando as perdas entre os papéis da carteira do Ibovespa.

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