Após rebaixamento de rating, aumenta pressão sobre a França

Decisão da agência Moody's não surpreendeu mercado, mas deve forçar franceses a acelerar economia

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h05

O rebaixamento do rating soberano da França não surpreendeu os analistas, mas aumentou a pressão para que o governo de Françoise Hollande execute reformas e acelere a economia. Em janeiro, o país havia entrado oficialmente no radar dos economistas quando a Standard & Poor's se tornou a primeira agência de risco a tirar a nota máxima de Paris. No mercado, porém, há a percepção de que pelo menos no curto prazo existem "alvos mais à frente", como a Grécia e a Espanha, que é pressionada a pedir ajuda internacional.

A estrategista da consultoria IG Markets na Espanha, Soledad Pellón, reconhece que o rebaixamento da França é uma má notícia, mas não chega a ser uma "grande novidade". "Em janeiro, a Standard & Poor's já havia anunciado uma decisão idêntica. Portanto, o mercado já trabalhava com a perspectiva de que outras agências fizessem o mesmo. Hoje, só a Fitch mantém a máxima nota para a França", diz.

Para a economista espanhola, o noticiário vindo de Bruxelas nesta terça-feira poderá ser mais impactante do que a decisão da Moody's. "O interesse especial está na reunião dos ministros de Finanças da zona do euro, que poderão decidir as condições para uma eventual nova ajuda à Grécia", afirmou, lembrando que o aspecto relevante neste caso é observar se as autoridades europeias e o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegarão a um acordo sobre os prazos que Atenas tem para cumprir as metas de redução do rombo fiscal.

Na opinião do Barclays, a decisão da Moody's sobre a França aumenta a pressão para que Paris execute reformas estruturais a exemplo do que fazem - ou deveriam estar fazendo - outros países europeus, como Irlanda, Portugal e Espanha. Em relatório para clientes, o banco diz que é preciso mudar aspectos estruturais da economia francesa, especialmente a engessada legislação trabalhista, para que o crescimento e a competitividade ganhem força no médio e longo prazos.

Mesmo assim, o Barclays mantém a aposta de que a França vai, ao contrário de vizinhos como a Espanha, crescer em 2013.

No mercado, economistas preveem que o governo francês deve terminar este ano com um déficit nas contas públicas equivalente a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em setembro, Hollande apresentou o Orçamento de 2013, que prevê cortes de 36,9 bilhões e a criação de uma "super alíquota" de impostos para os mais ricos, de 75%.

Com o aperto nas contas e o esperado reforço na arrecadação, o governo pretende terminar o próximo ano com déficit equivalente a 3,0% do PIB. A Alemanha deve terminar 2012 com resultado fiscal negativo próximo de 0,3% do PIB. No centro da crise, a Grécia deve ter rombo de 7,6% do PIB e a Espanha, de 6,7%.

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