Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Após rebaixamento, todos os títulos de dívida da Petrobrás caem na Alemanha

Alguns papéis já são negociados com desconto de 80%; companhia têm 31 diferentes vencimentos de títulos de dívida no mercado alemão

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 07h14

LONDRES - Todos os títulos de dívida da Petrobrás negociados no mercado em Frankfurt, na Alemanha, registram queda. Alguns papéis já são negociados abaixo de 80% do valor de face. Isso indica movimento dos investidores de tentar se desfazer dos bônus da brasileira após a decisão da agência Moody's de rebaixar o rating da estatal para o "grau especulativo". Com esse fenômeno, o retorno oferecido pelo papel, o chamado yield, sobe e já supera 9% em alguns vencimentos.

A Petrobrás tem 31 diferentes vencimentos de títulos de dívida, os chamados "bonds", listados no mercado secundário de papéis corporativos da Alemanha. Desses, 20 vencimentos já haviam registrado negócios às 10h15 no horário local (6h15 no horário de Brasília). Segundo dados da Bolsa de Frankfurt, todos esses 20 vencimentos registravam queda do valor negociado.

Entre os vencimentos, o Petrobrás Global 12/29 - emitido em 2012 e com vencimento em 2029 - era negociado a 76% do valor de face, o menor valor entre todos os papéis. Ontem, esse papel era negociado a 78,25% do valor de face e no máximo nos últimos 12 meses chegou a ser trocado de mãos a 95,58% do valor. Com essa queda observada nesta manhã, o yield implícito chegou a 8,25% - bem acima do cupom negociado na emissão de 5,37%. 

Outro destaque é o Petrobrás Global 13/16 - lançado em 2013 e com vencimento em 20 de maio do próximo ano. Nesta manhã, o título de curto prazo está sendo negociado a 91,8% do valor de face, o que indica retorno ao investidor de 9,22%. Quando foi emitido há dois anos, esse bônus previa cupom de 1,881%. 

Endividamento. A Petrobrás foi uma das empresas que mais aproveitou a histórica onda de crédito fácil e barato após o estouro da crise em 2008. Nesse período, a empresa foi ao mercado diversas vezes e tomou dezenas bilhões de dólares em empréstimos com a emissão de títulos de dívida e em operações bancárias. Assim, a dívida da estatal saltou de US$ 27,3 bilhões no fim de 2008 para US$ 139,7 bilhões em junho do ano passado - aumento em dólar de 411%. Por isso, a Petrobrás ganhou dos analistas o título de empresa mais endividada do mundo.

Os títulos de dívida da empresa estão com os credores que, se quiserem, podem vender os papéis para receber o dinheiro antecipadamente. A venda dos bonds é a solução para quem emprestou dinheiro e está inseguro com as perspectivas da companhia. Para resgatar o dinheiro, o investidor vende o papel a outro que passa a ter o direito de receber os compromissos que a Petrobrás tem a pagar. 

Nos últimos meses, credores cautelosos com o futuro da empresa já estavam vendendo os bônus e, para conseguir fechar negócio, ofereciam o papel cada vez mais barato. Com o preço menor e o juro pago pela emissora já combinado na emissão, o retorno embutido no título aumenta. Esse juro maior é uma tentativa do investidor de atrair um interessado para o papel e, literalmente, passar a dívida para frente. 

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