Lee Jin-man/AP
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Mercados internacionais fecham em alta após recuo de Trump sobre estímulos fiscais

Presidente dos EUA havia barrado negociações com democratas por pacote fiscal amplo, mas publicou em seu Twitter, na tarde de quarta, que poderia dar seu apoio a alguma ajuda financeira para o setor aéreo

Eduardo Gayer e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 08 de outubro de 2020 | 19h00

A maioria das Bolsas da Ásia e Europa encerraram o pregão desta quinta-feira, 8, em alta, com a tomada de risco favorecida após o recuo, ainda que parcial, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na concessão de estímulos fiscais. No entanto, esses índices já estavam fechados quando a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, rejeitou uma proposta de incentivos parcial. A decisão segurou os ganhos de Nova York, que fechou com alta modesta.

Após ter barrado, nesta semana, as negociações com os democratas por um pacote fiscal amplo, Trump publicou em seu Twitter, na tarde de quarta-feira, 7, que poderia dar seu apoio a alguma ajuda financeira para o setor aéreo. A notícia animou investidores, que veem novos estímulos como fundamentais para a recuperação da economia americana. 

No entanto, Pelosi rejeitou a possibilidade de incentivos destinados apenas para as companhias aéreas. "Queremos um pacote completo, não um projeto reduzido", afirmou "Queremos um pacote completo, não um projeto reduzido", afirmou em coletiva de imprensa no final da tarde desta quinta. No entanto, ela continua motivada: "estamos nas mesas de negociações, tivemos alguns progressos", disse. E o sentimento é compartilhado também pelo secretário de Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, que estaria "extremamente motivado" em conseguir um acordo.

Bolsas da Ásia 

Animado com a possibilidade de estímulos, o índice japonês Nikkei subiu 0,96%, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,21%. Em linha com os pares, a bolsa australiana teve ganho de 1,09%. O Hang Seng da Bolsa de Hong Kong, porém, foi na contramão e caiu 0,20%, diante do peso dos papéis da SIMC (-1,05%).

Já os índices acionários da China continental seguem fechados, em virtude do feriado do Dia Nacional. Os negócios devem ser retomados apenas na semana que vem. 

Bolsas da Europa 

No velho continente, a possibilidade do Banco Central Europeu (BCE) flexibilizar ainda mais sua política monetária, conforme divulgado na ata da reunião do órgão, animou o investidor. O BCE também sinalizou que com mais dados sendo disponibilizados "nas próximas semanas", a visibilidade sobre os próximos passos a serem tomados será melhor. Além disso, o banco alemão Commerzbank ressaltou em relatório que os "dados continuam a apontar para uma recuperação mais rápida do que o esperado".

Por lá, a possibilidade de um novo pacote de medidas de incentivo nos EUA sustentou os ganhos dos índices, com o Stoxx 600 encerrando com ganho de 0,78%. A bolsa de Londres subiu 0,53%, a de Frankfurt teve alta de 0,88% e a de Paris avançou 0,61%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,76%, 1,20% e 1,04% cada.

Bolsas de Nova York

Além do impasse entre Pelosi e Trump, os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o BC americano) também aumentaram o nervosismo do mercado, ressaltando nesta quinta a importância de novos estímulos do governo. "Espero que, seja quem for eleito, vá ao Congresso e aprove um grande pacote fiscal", declarou Eric Rosengren, presidente da distrital de Boston. Um termômetro da tendência de recuperação da economia dos EUA, os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram 9 mil, a 840 mil, mas a previsão de analistas era de que recuasse a 825 mil.

Por lá, Dow Jones subiu 0,43%, S&P 500 teve ganho de 0,80% e Nasdaq avançou 0,50%. Com o bom desempenho do petróleo, as ações da Chevron subiram 1,95%. Já os papéis do Citi recuaram 0,27%, após o banco americano ter sido multado ontem por reguladores e advertido pelo Fed sobre sua gestão de riscos.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo registraram ganhos hoje, sustentados pela passagem do furacão Delta pelo Golfo do México, que segue atrapalhando em ao menos 30% a produção de óleo local. Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) destacou em relatório que a readequação na produção de petróleo, diante da pandemia da covid-19, ajudou a "reequilibrar" o setor. Após o documento ser divulgado, os contratos ganharam força.

Em resposta, o WTI para novembro fechou em alta de 3,10%, a US$ 41,19 o barril, enquanto o Brent para dezembro subiu 3,22%, a US$ 43,34 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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