Após resultados, ações de bancos despencam

Os resultados de Bradesco e Santander Brasil no terceiro trimestre confirmaram a tônica esperada para os grandes bancos de capital aberto: crédito crescendo em ritmo ainda mais tímido, com exceção do impulso cambial, e preocupação com maiores calotes no cenário econômico atual.

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2015 | 02h02

Com lucros ainda crescentes, impulsionados por efeitos extraordinários, maiores receitas e controle de custos, o período serviu para a adoção de um perfil mais conservador e reforço nas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, o que pode sinalizar um futuro ainda mais desafiador.

Os resultados derrubaram as ações das instituições no pregão de ontem. No caso do Bradesco, chamou a atenção o patamar das despesas com provisões para devedores duvidosos (PDDs), que atingiu R$ 3,852 bilhões. Em relatório, os analistas Samuel Torres e Marcio Maeda, da Fator Corretora, comentaram que a qualidade da carteira do Bradesco deve se deteriorar mais à frente, na esteira da recessão do País. Por isso, mantiveram recomendação "em linha com o mercado" para as ações do banco.

No caso do Santander, as avaliações do mercado foram mistas, com parte dos analistas classificando os resultados como positivos, por conta de questões como elevação da margem, melhor eficiência e crescimento de lucro, e outros profissionais alertando para o risco relacionado à inadimplência.

Ambos os balanços reforçaram a preocupação do mercado com os efeitos da inadimplência sobre os ganhos das instituições financeiras, penalizando as ações também do Banco do Brasil e do Itaú Unibanco, que ainda divulgarão seus resultados.

Ao fim do pregão, Bradesco. Banco do Brasil e Itaú Unibanco encerraram nas mínimas, com quedas de 4,49%, 4,79% e 2,73%, nesta ordem. Santander, por sua vez, recuou 3,05%.

O principal índice da bolsa brasileira caiu mais de 2% ontem pressionado pelo recuo das instituições financeiras.

Câmbio. A carteira de crédito do Santander cresceu 13,4% de julho a setembro na relação anual e 3,3% na trimestral, totalizando R$ 332,340 bilhões. Sem a variação cambial, os resultados foram bem mais tímidos, com os empréstimos crescendo 6,7% em 12 meses e encolhendo 0,1% no trimestre.

Do mesmo jeito que favoreceu o Santander, a valorização do dólar frente ao real também foi propícia para a carteira de crédito do Bradesco. Ainda assim, os empréstimos subiram abaixo da projeção para o ano, com alta de 2,4% ante junho e 6,8% no ano. / A.B, C.D. e K.S.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.