Após resultados fracos, Nextel troca comando

Sérgio Chaia, que estava na presidência havia quase seis anos, deixou o cargo ontem; ele será substituído interinamente por dois executivo do grupo

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h03

Após quase seis anos à frente da Nextel, o executivo Sérgio Chaia deixou o comando da operadora de telefonia ontem. Sem dar detalhes sobre as razões da mudança, a NII Holdings, controladora da companhia, informou em nota que o comando será assumido pelo diretor de operações da NII, Gokul Hemmady, e pelo diretor de operações da Nextel, Claudio Hidalgo, até que um sucessor seja nomeado.

"Decidimos avançar em nova direção para garantir que a Nextel Brasil possa alcançar seus objetivos e proporcionar resultados", disse Steve Dussek, presidente da NII Holdings. As ações da NII caíram 3,25% ontem no pregão da Nasdaq.

A Nextel Brasil responde por quase metade do faturamento da NII. Entre julho e setembro, a filial brasileira apresentou redução de 24% na receita operacional em relação ao mesmo período de 2011, totalizando US$ 693,2 milhões. Reportou também queda de 58,3% no lucro operacional e informou que vai desativar 350 mil assinantes em sua clientela. Entre os motivos para essa "limpeza" estaria a inadimplência na base.

Dussek, da NII Holdings, já havia se manifestado durante conferência sobre os números do Brasil: "Estou desapontado com os resultados. A performance não é aceitável e precisamos melhorar. Assumo toda a responsabilidade por isso."

Especialistas do setor de telecomunicações dizem que 2012 não foi um bom ano para a operadora. O uso de tecnologia ultrapassada e a baixa capacidade de inovação prejudicaram os resultados dos últimos trimestres. Isso aumentou a ansiedade dos investidores e da própria NII, afirmou um especialista que pediu para não ser identificado. "Esta ansiedade muitas vezes termina em troca de direção."

Chaia estava à frente de uma negociação que vem provocando alguma polêmica no setor: a compra da operadora de telefonia celular Unicel, de São Paulo, empresa falida de propriedade de um amigo do marido de Erenice Guerra, ex-ministra-chefe da Casa Civil. A Unicel detém a faixa de 1,8 GHz, uma oportunidade para a Nextel entrar para o mercado 4G.

No entanto, na visão de outros analistas do setor, a Nextel tem hoje fatores a seu favor. A companhia está prestes a entrar no mercado de 3G - ainda que o cronograma tenha atrasado - e foi recentemente beneficiada pelo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), da Anatel, cujas regras devem obrigar as grandes companhias (Claro, Oi, TIM e Vivo) a compartilhar sua infraestrutura com as concorrentes de menor porte, como a Nextel.

Livro. Sérgio Chaia já vinha conversando havia vários meses com os dirigentes da operadora sobre sua saída, segundo fontes do mercado. O executivo já planejava para o período pós-Nextel o lançamento de seu livro Será Que é Possível?, que deve ocorrer semana que vem.

Na obra, o executivo usa o aprendizado absorvido nesses anos de Nextel para falar sobre a adoção de um estilo de liderança mais humano sem abrir mão dos resultados. Quando Sérgio assumiu a presidência, a operadora tinha cerca de 1 milhão de clientes. Hoje, são 4,2 milhões de assinantes.

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