Andre Penner/AP
Andre Penner/AP

Após reunião com a Ford, Ministério Público do Trabalho acompanha três inquéritos contra montadora

Já existem três inquéritos civis abertos nas regiões onde a montadora vai fechar fábricas: Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE)

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 14h50

BRASÍLIA - O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai acompanhar de perto os desdobramentos do encerramento das atividades da Ford no Brasil. Após reunião com representantes da multinacional na manhã desta quinta-feira, 14, o órgão criou um Grupo Especial de Atuação Finalística (Geaf) para monitorar os impactos do fechamento de três fábricas da companhia norte-americana, que podem afetar até 5 mil trabalhadores.

De acordo com o MPT, já existem três inquéritos civis abertos nas regiões onde a Ford deixará de produzir. Na segunda-feira, 11, a montadora americana anunciou o fechamento das fábricas em Camaçari (BA), onde ficam as linhas dos modelos EcoSport e Ka; Taubaté (SP), que produz motores; e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

Com base nesses três processos, foi criado um Geaf por meio do qual as procuradoras do trabalho que comandam os inquéritos na Bahia, Ceará e São Paulo poderão atuar de forma "coordenada e estratégica" para mitigar os impactos da decisão da Ford.

Por meio de nota, o procurador-geral do MPT, Alberto Balazeiro, demonstrou preocupação com os reflexos sociais e com a empregabilidade dos trabalhadores da empresa após o fim das atividades nas três unidades. Ele ressaltou que existe toda uma cadeia produtiva do entorno da empresa que também será atingida.

Pela Ford, participaram da reunião o diretor jurídico da companhia, Luís Cláudio Casanova, o gerente de Relações Governamentais, Eduardo Freitas, e três advogados da empresa. Segundo o MPT, os representantes da montadora repetiram os argumentos que a empresa vem sustentando para justificar sua saída do Brasil e se comprometeram a encaminhar ao Ministério Público do Trabalho todas as informações requisitadas sobre as demissões.

O secretário especial da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, e o secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, também participaram da reunião virtual.

Como mostrou o Estadão, o Ministério da Economia já iniciou conversas para apoiar a recolocação dos trabalhadores da Ford que vão perder o emprego com a saída da montadora do Brasil. Uma das possibilidades é a criação de um programa específico para ajudar esse grupo de trabalhadores altamente qualificados.

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