Após romper US$ 3,5 mil, operadores apostam em sequência de rali do Bitcoin

Após romper US$ 3,5 mil, operadores apostam em sequência de rali do Bitcoin

Cotação da criptomoeda chegou a cair ao nível de US$ 1.800 com medo em torno da divisão do Bitcoin, mas preocupações do mercado já começaram a se dissipar

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2017 | 15h06

SÃO PAULO - Uma semana depois da divisão do Bitcoin em dois, os receios dos investidores com o futuro da moeda digital parecem ter arrefecido. Pelo menos até a próxima mudança na rede. Evidência disso é a flutuação observada nesses primeiros dias de Bitcoin e Bitcoin Cash, o novo concorrente da divisa no mercado: o primeiro registrou máxima histórica acima de US$ 3.500 na terça-feira, 8, enquanto o segundo chegou a avançar para pouco mais de US$ 700 na semana passada. Há, inclusive, quem aposte que a criptomoeda vai se valorizar ainda mais.

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O medo relacionado aos desdobramentos da divisão fez o Bitcoin tombar para o nível de US$ 1.800 há um mês, o que estimulou analistas céticos com o mercado das criptomoedas a fazerem previsões apocalípticas. É o caso do jornalista Brett Arends, colunista do Market Watch, que publicou um artigo no dia 11 de julho dizendo que “moedas online não podem ser consideradas ‘reservas de valor’ quando elas podem cair 30% em uma semana”.

Operadores dizem que Arends não está completamente errado nessa observação, mas subestima o potencial desse mercado quando diz que ele serve apenas para jogos online e lavagem de dinheiro.

O diretor da Research Point, Ronnie Moas, é uma das milhares de pessoas que aposta nas moedas virtuais de forma lícita, como investimento, e está bastante satisfeito com os picos alcançados pelo Bitcoin nos últimos dias.

Moas diz ao Estadão/Broadcast que, apesar de aplicar seu dinheiro num ativo considerado novo, a estratégia dele é bastante antiga: não coloque todos os ovos na mesma cesta. “Eu recomendo que as pessoas que vão entrar no mercado de criptomoedas diluam seu dinheiro em 10 ou 20 moedas e o separem em três ou quatro contas”, ressalta.

Hoje, só as cinco principais moedas virtuais - Bitcoin, Ethereum, Ripple, Bitcoin Cash e Litecoin - respondem por um mercado de US$ 97,726 bilhões, de um total de US$ 121 bilhões. E, para Moas, há potencial de crescimento.

“Temos hoje no mundo US$ 200 trilhões distribuídos em dinheiro vivo, ações, títulos do governo e ouro e eu não tenho interesse em nenhuma dessas opções. Falando de uma maneira conservadora, eu acho que 1% desse dinheiro encontrará seu caminho para as criptomoedas. E 1% de US$ 200 trilhões são US$ 2 trilhões”, aponta.

A expectativa é endossada pelo diretor-executivo do Mercado Bitcoin, Rodrigo Batista, líder de uma das bolsas que negociam a moeda virtual no Brasil.

“Acho que o mercado de moedas digitais tem potencial para ser do mesmo tamanho ou maior do que a própria internet. Não vejo porque não ir para isso. Estamos no começo de um mercado que pode chegar a dezenas de trilhões de dólares, contando Bitcoin e as outras moedas”, afirma.

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Em termos de cotação ante as chamadas “moedas reais”, a perspectiva também é positiva, mas vale lembrar que as criptomoedas enfrentam volatilidade extrema se comparadas a outros tipos de investimento, o que pode não ser boa opção para os que não gostam de muitas emoções. No entanto, para quem quiser apostar no Bitcoin, Ronnie Moas faz uma previsão otimista de que a criptomoeda chegará a US$ 5 mil até o fim de 2018 e a US$ 50 mil em 2027.

No caso do Bitcoin Cash, por se tratar de uma moeda muito jovem, os analistas preferem se abster de previsões. “Para falar se o Bitcoin Cash é vencedor ou não, vai demorar alguns meses. Mas o preço do Bitcoin ‘normal’ subindo é um indicativo de que o mercado já considerou positiva a forma como a divisão foi implementada”, afirma Batista.

Alguns participantes desse mercado também reforçam a ideia dos analistas de que é um setor em expansão. Nos últimos tempos, o Japão regulamentou o Bitcoin, movimento que já estimula governos como o da Austrália, da Rússia, da Suíça, entre outros, a fazerem o mesmo. No universo empresarial, nomes como IBM, Microsoft, Goldman Sachs e Facebook também embarcaram no mundo das moedas digitais.

“Todo mundo está a bordo. Vamos subir ainda mais. É apenas uma questão de quão alto iremos e quanto tempo levará para chegarmos lá”, diz Moas.

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