François Lenoir/AFP
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Após saída do FMI, Merkel faz apelo para que credores retomem conversa sobre a Grécia

Para a Alemanha, uma solução para a questão da dívida grega sem a participação do FMI é 'impensável'; Fundoi decidiu abandonar o diálogo afirmando que não houve progresso nas negociações

André Ítalo Rocha, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 09h05

BERLIM - Após o anúncio de saída do Fundo Monetário Internacional das negociações com a Grécia em Bruxelas, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, pediu nesta sexta-feira, 12, a todos os envolvidos no resgate da Grécia que retomem as conversas. "Quando há vontade, há um caminho, mas a disposição deve vir de todos os lados, disse Merkel em Berlim, enfatizando a importância de que as discussões tenham continuidade.

Nesta quinta-feira, o FMI atribuiu sua decisão à falta de progresso nas conversas com a Grécia e citou amplas divergências na maioria das áreas mais relevantes. Sem acordo, sobe o risco de que o país ficar sem recursos financeiros e, em última instância, ser obrigado a deixar a zona do euro. Com a decisão da saída das negociações, o Fundo mandou um claro sinal de que a Grécia precisa intensificar os esforços nas negociações com credores internacionais sobre seu programa de ajuda, afirmou o Ministério de Finanças da Alemanha, enfatizando que a entidade precisa fazer parte de um eventual acordo com Atenas.

Segundo o porta-voz do ministério alemão, Martin Jäger, uma solução para a questão da Grécia sem o FMI é "impensável" para a Alemanha. Já o porta-voz de Merkel afirmou que Berlim quer e trabalha para que a Grécia permaneça na zona do euro, mas repetiu que a solidariedade da Europa dependerá dos esforços dos gregos para reformar sua economia. 

Política monetária. Merkel, que falou durante evento para empresas familiares, também elogiou a política atual do Banco Central Europeu (BCE) de manter as taxas de juros básicas em mínimas históricas. Com o argumento de que é função do BCE garantir "que não entremos num ciclo inflacionário", Merkel pediu compreensão para os juros baixos da zona do euro, diante da grave situação de países com altas taxas de desemprego, como Espanha, Portugal e Irlanda. 

A chanceler alemã disse que a valorização do euro em relação a outras moedas pode prejudicar a recuperação econômica de alguns dos países da zona do euro mais afetados pela crise de 2008, citando como exemplo Espanha, Portugal e Irlanda. Segundo ela, estes países adotaram reformas internas para se recuperar e competir no mercado internacional, no entanto, com a moeda da região mais forte, "será difícil obter ganhos da reforma em exportações, por exemplo".

Em 2015, o euro acumula queda de 7,5% ante o dólar e, às 8h40 (de Brasília), caía a US$ 1,1158. 

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