Após saques, prefeito lidera marcha

Juan Manuel Sánchez Gordillo, integrante da Esquerda Unida, quer o fim da austeridade

MADRI, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h04

O prefeito de Marinaleda, Juan Manuel Sánchez Gordillo, de 59 anos, liderou ontem uma marcha de protesto contra as duras medidas de austeridade adotadas pelo governo espanhol de Mariano Rajoy. O político já havia apoiado roubos em supermercados para, segundo ele, distribuir os alimentos aos espanhóis em situação de pobreza.

Centenas de pessoas se uniram em Jodar, em Andaluzia, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Andaluzia (SAT), para protestar contra as recentes ações do governo espanhol. Sánchez Gordillo também é integrante do parlamento andaluz e personalidade destacada no partido comunista Esquerda Unida.

"Vamos visitar todas as capitais da Província de Andaluzia dizendo que não se pague a dívida, que não haja mais cortes e, por último, pleitear que seja distribuída uma renda básica para que todos tenham um benefício de 800", discursou Sánchez Gordillo ao começar a marcha.

A marcha de protesto de ontem deve se repetir durante as próximas três semanas em Andaluzia, segundo a expectativa dos organizadores do evento.

Na terça-feira, os militantes do movimento invadiram e quebram dois supermercados de Écija y Arcos de la Frontenteira, em Andaluzia, e encheram os veículos com produtos roubados. Eles asseguraram que a comida seria distribuída para os mais necessitados.

A crise que assombra a Espanha é especialmente mais grave em Andaluzia, uma das regiões mais afetadas pelo estouro da bolha imobiliária em 2008. Nessa região, 33,92% da população está desempregada, ante 24% no nível nacional.

Imagem. No início do mês, outros saques foram liderados por trabalhadores ligados ao SAT. Na época, Alfonso Alonso, porta-voz parlamentar do Partido Popular, do primeiro-ministro Mariano Rajoy, disse que os saques prejudicam a imagem da Espanha no exterior.

"Agora é tempo de agir com lealdade e apoio ao governo. Nossa solvência e nossa seriedade estão sendo julgadas", afirmou Alonso na ocasião.

O governo da Espanha anunciou no dia 8 de agosto uma ordem de detenção contra um grupo de militantes de esquerda - apoiado por Sánchez Godillo - que roubou alimentos nos supermercados da região para denunciar a crise econômica enfrentada pela Espanha e a desigualdade social existente no país.

Entre as medidas de austeridade já anunciadas pelo governo, estão cortes de gastos e aumentos de impostos de mais de 100 bilhões nos próximos dois anos, reduções nos salários dos servidores públicos e dos repasses do governo central às regiões e cortes nos benefícios da seguridade social. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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