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Após seguir queda em NY, Bovespa vira e tem leve alta

Bolsa fecha com leve alta de 0,04% chegando a 65.085,55 pontos encerrando atividades de forma estável

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado,

26 de outubro de 2009 | 18h37

A Bovespa acompanhou a queda do mercado acionário em Nova York durante quase todo o pregão, mas nos minutos finais reverteu o movimento e encerrou praticamente estável. Durante a sessão o recuo do índice paulista foi contido em razão da valorização dos papéis da Vale, na expectativa com a divulgação de um balanço positivo na quarta-feira, dia 28. Em Wall Street, a notícia de que o número de bancos falidos nos EUA subiu para 106 neste ano - patamar anual mais alto desde 1992 - fez o setor financeiro liderar as perdas.

 

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A Bolsa paulista teve um dia atípico nesta segunda-feira, 26. Ficou parada por cerca de uma hora em razão da pane nos sistemas GTS (BM&F) e no Mega Bolsa (Bovespa). O problema levou o investidor a operar ADRs em Nova York. Desta forma, quando a Bolsa voltou a funcionar normalmente os investidores venderam ações e compraram dólares para enviar ao exterior. Os negócios na Bovespa essa semana prometem ser voláteis, em razão da divulgação de importantes indicadores domésticos e externos e da intensa safra de balanços de companhias norte-americanas.

 

O Ibovespa fechou com leve alta de 0,04%, aos 65.085,55 pontos. Na máxima atingiu 65.901,10 pontos e na mínima, 64.500,69 pontos. O volume financeiro somou R$ 5,45 bilhões (preliminar).

 

O operador de uma corretora avalia que a realização de lucros era "inevitável". "A Bolsa está muito esticada. Em algum momento o investidor ia embolsar os ganhos, chegou o momento", disse a fonte destacando o problema na BM&FBovespa. "A Bolsa ficou parada por uma hora, o investidor não cruzou os braços, correu para operar ADRs lá fora. Isso se refletiu em investidor saindo da Bolsa para comprar dólar e operar ADRs lá fora", disse.

 

Em nota, a bolsa informou que decidiu interromper as negociações nos sistemas GTS (BM&F) e Mega Bolsa (Bovespa) por conta de problemas técnicos apresentados na Rede de Comunicação da Comunidade Financeira (RCCF). A Bovespa retomou as operações apenas às 12h50, em pré-abertura. No total, foram 53 minutos sem negociação no mercado de ações. Os problemas aconteceram justamente após a BM&FBovespa anunciar parcerias com a Nasdaq que preveem, entre outros, o desenvolvimento de um sistema de roteamento de ordens integrado. A ação da BM&FBovespa, que subia desde a abertura, virou na reabertura após a pane e fechou com perda de 1,63%, a R$ 12,05.

 

Em relatório, o economista do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, avalia que o recente movimento de alta das bolsas pode estar perdendo fôlego temporariamente. "Embora continue não sendo provável uma realização interna, novos picos de alta dependerão de dados excessivamente favoráveis, o que pode não se confirmar neste momento", explica Campos Neto.

 

A expectativa positiva em relação ao balanço da Vale está livrando as ações da mineradora do noticiário desfavorável, o que ajudou o Ibovespa a não fechar a sessão no vermelho. Os papéis PNA subiram 1,24%, a R$ 41,51 e os ON, +0,63%, a R$ 46,40. Os investidores não gostaram da ideia de criação de uma Agência Nacional de Mineração e de um Conselho Nacional de Política Mineral, que permitirá ao governo maior ingerência sobre as prospecções minerais no País. A avaliação é de que se trata de uma interferência do governo na mineradora, que abre o precedente para intervenções em outros setores da economia.

 

A ação ON da Petrobras acompanhou a queda do petróleo na maior parte do dia, mas no final fechou com ganho de 0,45%, a R$ 42,60. A ação PN subiu 0,55%, a R$ 36,70. Notícia vinda de Tóquio contribuiu positivamente sobre os papéis. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, disse que a companhia poderá processar petróleo bruto mais leve do que o originalmente planejado em sua refinaria em Okinawa, no Japão, e por isso poderá ajustar seu plano de reforma para a refinaria.

 

A Petrobras comprou, em abril de 2008, 87,5% da Nansei Sekiyu KK, a companhia que opera a refinaria que tem capacidade de 100 mil barris por dia na ilha de Okinawa, no sudoeste do Japão. Na época, a empresa brasileira disse que investiria cerca de 100 bilhões de ienes (US$ 1,1 bilhão) para capacitar a unidade a processar petróleo brasileiro pesado para oferecer produtos derivados ao mercado asiático. Mas esse plano está congelado desde o final do ano passado.

 

Em Nova York, o barril do petróleo para dezembro fechou com queda de 2,26%, a US$ 78,68.

 

O recuo no preço da commodity ajudou as ações PN da Gol a figurarem entre os destaques de alta do Ibovespa (+4,85%, a R$ 19,69). No entanto, TAM PN não acompanhou a performance e perdeu 1,75%, a R$ 27,02. Segundo uma fonte, no mês o ganho da TAM (+17,48%) é superior ao da Gol (+7,24%), o que "motivou a realização com as ações da TAM", disse.

 

Nos EUA, a principal notícia veio do setor bancário. No sábado, o Wall Street Journal noticiou que a tentativa do Bank of America de devolver os recursos recebidos do governo norte-americano foi frustrada por discordâncias sobre quanto capital adicional a instituição teria de levantar para satisfazer os reguladores, segundo pessoas familiarizadas com a situação. Outra notícia que minou o ânimo dos investidores quanto ao setor financeiro foi o anúncio de mais uma insolvência na indústria no fim de semana, da cedente de crédito imobiliário Capmark Financial, elevando para 106 o número de falências no setor este ano.

 

As bolsas europeias fecharam em queda. O índice pan-europeu Dow Jones Stoxx 600 fechou com declínio de 1,3% para 241,84 pontos, após ter subido 0,6% e chegado a cair 1,4% na sessão. As perdas foram lideradas pelo setor financeiro, à medida que as ações do ING caíram 18,01% em Amsterdã após o banco holandês ter anunciado um plano que envolve a sua cisão para pagar parte da ajuda recebida do governo holandês durante a crise. O índice FTSE de Londres caiu 0,97% para 5.191,74 pontos; o índice DAX de Frankfurt recuou 1,71% para 5.642,16 pontos; e o índice CAC-40 de Paris caiu 1,68% para 3.744,45 pontos. O índice IBEX35 de Madri cedeu 1% para 11.622,60 pontos.

 

Em tempo

 

Após o fechamento, o mercado aguarda ainda o resultado da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Cetip, cujo preço será definido nesta segunda-feira, 26. Será o primeiro grande teste após a decisão do governo de taxar em 2% o capital estrangeiro aplicado em renda fixa e variável. A operação, que pode movimentar até R$ 1,152 bilhão, e vai mensurar o impacto da taxação do IOF no apetite dos investidores estrangeiros.

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