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Após ser rebaixada, Vale se diz desapontada com a visão de curto prazo da S&P

Para executivo da empresa, a decisão de diminuir a nota de crédito da companhia foi tomada num momento em que os preços de minério de ferro ainda não encontraram um patamar

Lucas Hirata e Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2015 | 10h38

SÃO PAULO - A Vale afirmou estar decepcionada com a visão de curto prazo da agência de classificação de riscos Standard & Poor's, após a entidade rebaixar a nota da empresa para BBB, de BBB+. Segundo o diretor executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Luciano Siani, a decisão foi tomada num momento em que os preços de minério de ferro ainda não encontraram um patamar e "justo quando a Vale entrega bons resultados em aumento de produção, redução de custos e redução de investimentos".

Em decisão anunciada na noite desta quinta-feira, 30, a S&P disse que o rebaixamento reflete "a forte pressão do efeito combinado da queda nos preços do minério de ferro e dos níveis de investimento consideráveis na alavancagem da empresa em 2015 e 2016". A perspectiva da Vale está negativa, de acordo com a agência.

"Respeitamos independência mas estamos desapontados com a visão de curto prazo da Standard & Poor's", afirmou Luciano Siani. "Esperamos de agências de rating que tenham uma visão através do ciclo, compatível com o prazo médio de nossa dívida, que é de 9 anos. Pelo menos a forte redução recente dos spreads de risco nos nossos bônus mostra que não estamos sozinhos em nossa opinião".

No começo da quinta-feira, a Vale reportou um prejuízo líquido de US$ 3,118 bilhões no primeiro trimestre de 2015, o terceiro consecutivo, revertendo, assim, lucro obtido no mesmo período do ano passado. Em relação às perdas registradas no último trimestre do ano passado, o prejuízo anotado nos três meses de 2015 é 68,6% superior. O preço do minério de ferro, que desde o ano passado vem percorrendo uma trajetória de queda, puxou os resultados da mineradora para baixo.

A despeito do preço do minério de ferro, a Vale bateu no período de janeiro a março recorde de produção do insumo para um primeiro trimestre. A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre de 2015 atingiu 74,523 milhões de toneladas, crescimento de 4,9% em relação ao visto um ano antes, de acordo com o relatório de produção da companhia divulgado na semana passada.

As ações PNA fecharam em alta de 6,20% e as ON subiram 7,30%. Analistas destacaram como positivo o foco da gestão da empresa em redução de custos e despesas. "Em 2015, iremos estabelecer a base de uma empresa mais competitiva e lucrativa. Iremos consolidar os esforços de corte de custos e ganho de produtividade", disse o presidente da Vale Murilo Ferreira em teleconferência ontem, para comentar o balanço. 

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