Após socorro aos bancos, Lula deve ampliar apoio à agricultura

Presidente poderá atender reivindicações do agronegócio e ampliar crédito para produtores, afirmam fontes

Marcelo de Moraes, da Agência Estado,

09 de outubro de 2008 | 08h15

Depois de editar a medida provisória (MP) de socorro aos bancos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá atender pelo menos parte da reivindicação do setor de agronegócio e ampliar o crédito para os produtores, segundo fontes. Lula foi alertado sobre a importância da ampliação do crédito para evitar problemas às vésperas do início do plantio da próxima safra.  Veja também:Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a criseEntenda a disparada do dólar e seus efeitosAjuda de BCs mostra que crise é mais grave, diz economistaEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA  Em conversa com interlocutores na quarta-feira, Lula avaliou que o fortalecimento do agronegócio neste momento servirá como importante sinalizador externo sobre a estabilidade da economia nacional, reduzindo o impacto das turbulências internacionais. Dentro dessa avaliação, o governo acha que, além da solidez do agronegócio, o Brasil mantém posições importantes em outros setores estratégicos, como na produção de ferro e da produção de petróleo, que servem para mostrar que o País ainda é "um porto seguro", mesmo na crise. Na quarta-feira, o presidente conversou seguidamente com o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e (por telefone) com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para se manter informado sobre a crise internacional. Foi informado da decisão de atuação do BC no mercado de venda de dólar para conter o aumento da cotação da moeda norte-americana. O governo detectou que o movimento era "especulação" e resolveu intervir. Para outros interlocutores, o presidente insistiu em que é necessária uma mobilização internacional para impedir que as oscilações do mercado quebrem economias de vários países. "Depois desse episódio, não podemos mais permitir que a economia virtual comprometa a economia real, representada pela produção dos países", disse o presidente. num almoço, na quarta-feira, com o governador da Bahia, Jaques Wagner. O governador disse à Agência Estado que concorda com essa visão. "Acho que a crise se tornará um marco para essa economia de mercado. Assim como a queda do Muro de Berlim redefiniu a geopolítica internacional, agora o que caiu foi o muro de Wall Street. As coisas não serão mais iguais na economia depois dessa crise", avaliou.

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