Após sofrer com seca, milho safrinha do PR é abatido por geadas

Dois dias consecutivos de geadas no Paraná, o maior produtor de milho do Brasil, devem ter causado perdas na segunda safra (safrinha) do cereal no Estado, de acordo com informações do governo estadual e do setor produtivo.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

04 de junho de 2009 | 16h22

A safrinha paranaense está estimada em 4,9 milhões de toneladas, volume que representa uma queda de 1,5 milhão de toneladas em relação à previsão inicial, por conta da seca em abril e maio.

Mas o frio intenso desta semana, que atingiu lavouras especialmente no oeste do Estado, provavelmente reduzirá ainda mais a previsão do governo --no ano passado, o Paraná perdeu 1 milhão de toneladas por geadas em 16 e 17 de junho.

"Dá para esperar mais perdas", afirmou nesta quinta-feira a agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Paraná.

Segundo ela, só será possível apurar as perdas com exatidão posteriormente, uma vez que algumas lavouras menos afetadas ainda poderiam se recuperar.

"O pessoal está falando em perdas na faixa de 10 a 20 por cento", destacou o gerente técnico e econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Flávio Turra, reforçando que os números ainda precisam se levantados.

Se forem confirmadas tais perdas, o Estado teria uma safrinha em torno de 4 milhões de toneladas neste ano, ante 5,78 milhões de toneladas da colheita na safra passada.

Somando com a safra de verão, também afetada por seca, o Paraná colheria em 08/09, por hipótese, aproximadamente 10 milhões de toneladas, contra 15 milhões em 07/08.

"Geou forte e vai ter quebra... Mas vai ser difícil quantificar, porque é uma lavoura já afetada por seca", acrescentou Turra, que estava em Campo Mourão na quarta-feira, quando o frio foi mais intenso.

Na madrugada de quarta, segundo o Deral, a temperatura mais baixa, entre as principais regiões produtoras, foi verificada em Toledo, no oeste, com 1,5 graus Celsius negativos.

Em Palotina, também no oeste, verificou-se 0,1 grau Celsius negativo na quarta. Cascavel registrou 1,9 grau.

Nesta quinta-feira, as temperaturas já subiram um pouco. Mesmo assim, Toledo, com 1,2 grau Celsius, e Palotina, com 0,6 grau, registraram geadas novamente, segundo o Deral.

De acordo com Margorete, as regionais afetadas por geadas (Toledo, Campo Mourão, Cascavel e Maringá, pela ordem em termos de produção) respondem por 75 por cento da produção de milho safrinha do Estado, que tem 65 por cento das lavouras ainda em fases suscetíveis a perdas.

A quebra por geada só é possível de ser contabilizada dias depois da ocorrência do fenômeno porque, dependendo das condições climáticas, algumas lavouras menos afetadas ainda conseguem recuperação.

"Um clima seco diminui as perdas. Como a estrutura da folha fica comprometida, se chover, apodrece. Se não chover, se recupera em parte", disse Turra.

Já Margorete lembrou que havia chovido antes das geadas em algumas regiões, o que potencializa as perdas.

PREÇOS NÃO MEXEM

Apesar de intensas, as geadas não resultaram em grandes mudanças nos preços no Estado, provavelmente porque os estoques ainda estão em níveis elevados, com a safra recorde do ano passado, segundo fontes do mercado.

A saca no mercado disponível paranaense está cotada em torno de 20 reais,

Mas, de acordo com a consultoria AgraFNP, "a ocorrência de geadas em regiões produtoras de milho safrinha no Paraná acabou por travar ainda mais as comercializações com o produto no Estado, como também em outras importantes praças no país".

A AgraFNP prevê uma safra total de milho do Brasil de 48,95 milhões de toneladas em 08/09, contra 51,3 milhões de toneladas estimadas pelo Ministério da Agricultura, que deverá atualizar seus números, considerando os efeitos da seca, na próxima segunda-feira.

Apesar da quebra de safra, a AgraFNP ainda prevê estoques finais em 08/09 de 9,4 milhões de toneladas de milho do Brasil, com uma redução nas projeções de exportação para 7,5 milhões de toneladas em 2009, e um consumo interno de 44,2 milhões de toneladas.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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