Após subir e superar 70 mil pontos, Bovespa fecha estável

A Bovespa fechou a terça-feira praticamente estável, após o otimismo da abertura ser ofuscado pela volatilidade de Wall Street.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

30 de março de 2010 | 17h55

Mais uma vez, o Ibovespa encontrou um teto nos 70 mil pontos, fronteira que buscou ultrapassar novamente, mais uma vez frustrada com o esvaziamento da entrada de recursos para o mercado acionário doméstico. No fim, o índice teve alta mínima de 0,03 por cento, aos 69.959 pontos. O giro financeiro da sessão foi de 5,48 bilhões de reais.

"O dia começou com expectativa positiva, mas virou no meio do dia, refletindo o mercado lá fora", disse o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa.

Durante boa parte do dia, o Ibovespa foi inflado pela notícia de que a Vale e a BHP Billiton adotaram um sistema trimestral de reajuste de preços, garantindo um aumento de cerca de 90 por cento no minério de ferro a partir de abril.

A Bradesco Corretora revisou para cima a avaliação de preço justo da ação preferencial da Vale em 27 por cento, resumindo o tom positivo de analistas do setor: "Compre Vale, compre Vale, compre Vale".

No plano internacional, outro ingrediente que deu sustentação ao tom positivo dos negócios foi o anúncio de que a confiança do consumidor dos Estados Unidos cresceu acima do esperado pelo mercado em março.

No meio da sessão, parte dos investidores já mudava de mão, preferindo realizar lucros com a preferencial da Vale após o rali recente. No dia, o papel subiu apenas 0,18 por cento, a 49,55 reais.

Diferentemente de Wall Street, onde o mau desempenho dos bancos impediu os índices de decolarem, após o governo norte-americano reforçar o discurso em prol de uma reforma do setor financeiro, aqui o segmento ajudou o Ibovespa.

Em destaque, Redecard subiu 2,5 por cento, a 32,10 reais. Entre os bancos, Bradesco foi o melhor, ganhando 0,84 por cento, a 32,27 reais.

Na mão contrária, o desagrado dos investidores com o setor imobiliário, após o anúncio da segunda etapa do programa "Minha Casa, Minha Vida", na véspera, prosseguiu. Após liderarem as perdas do Ibovespa na segunda-feira, as ações de construtoras e incorporadoras esboçaram um repique, mas logo voltaram a acusar a frustração dos que esperavam um plano mais ambicioso do que 2 milhões de novas moradias até 2014.

Em destaque, Rossi Residencial tombou 3,05 por cento, para 12,41 reais. Embora tenha agradado com os resultados do quarto trimestre de 2009, a companhia anunciou um forte investimento em imóveis para baixa renda. O temor de que essa estratégia aperte as margens das construtoras é um dos fatores citados por analistas para o mau desempenho do setor.

Gafisa caiu 2,43 por cento, a 12,06 reais.

Outro que repetiu a má performance da véspera foi Pão de Açúcar, caindo 0,6 por cento, a 57,65 reais. Em relatório, o Citi considerou que a fusão anunciada pelas redes Insinuante e Ricardo Eletro, na segunda-feira, é nociva para a companhia.

"Na nossa visão, o anúncio é negativo para o Grupo Pão de Açúcar, uma vez que a criação de um concorrente forte na região Nordeste traz ventos contrários para a intenção do grupo de se expandir naquela área", segundo trecho do documento.

A despeito da alta do petróleo e de reiterar o compromisso de realizar sua capitalização por meio de uma oferta de ações ainda no primeiro semestre, Petrobras não conseguiu animar o mercado e sua ação preferencial recuou 0,3 por cento, a 34,80 reais.

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