Após subir mais de 6%, Bovespa reduz ganhos; NY mantém alta

Bolsas européias operam em alta desde o início do pregão; nos EUA, investidores aguardam decisão sobre juro

Redação,

28 Outubro 2008 | 13h18

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reduziu os ganhos no início da tarde desta terça-feira, 28, depois de subir mais de 6% no início do pregão. A tendência também é observada nas bolsas de Nova York, que recuaram um pouco, mas ainda operam no terreno positivo. Às 13h13 (de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,53%, aos 29.885 pontos. Em NY, no mesmo horário, Dow Jones subia 1,18%, Nasdaq avançava 0,66% e S&P 500 ganhava 0,69%.   Veja também: Mantega volta ao Congresso para explicar MP 443 nesta 3ª Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Veja o que muda com a Medida Provisória 443 Veja as semelhanças entre a MP 443 e o pacote britânico Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Nesta terça, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) inicia reunião de dois dias, devendo anunciar sua decisão de política monetária para os EUA somente na quarta-feira, assim como o Copom brasileiro - que decide sobre a próxima taxa Selic. Os índices da Bolsa de Nova York também abiram com forte valorização.    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, volta nesta terça ao Congresso para apresentar explicações sobre o processo de edição da Medida Provisória (MP) 443, que autorizou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participação em instituições financeiras - inclusive o controle delas - e irritou os parlamentares oposicionistas e alguns governistas.   Em Nova York, a recuperação das ações depois da forte queda de segunda é ajudada pelas declarações do Citigroup de que alguns fundos planejam injetar mais dinheiro em ações neste final de mês, o que poderia ter um grande efeito em um mercado sem liquidez. Durante meses, os investidores saíram das bolsas em busca de instrumentos mais seguros, como Treasuries e bônus, e qualquer sinal de que esses mesmos traders estariam retornando às ações poderia trazer uma desejada estabilidade ao mercado.   De qualquer modo, o mercado segue sob pressão significativa. O índice de confiança do consumidor caiu ao nível de 38, o menor já registrado. "O impacto da crise financeira ao longo das últimas semanas claramente prejudicou a confiança do consumidor", disse o diretor do centro de pesquisa do consumidor do Conference Board, Lynn Franco.   Europa   Trazendo de volta o temor de um recessão global, o banco central britânico anunciou nesta terça uma estimativa de que as perdas globais para bancos e investidores na atual crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões. O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial) e mais de 5% do PIB mundial (de US$ 54,3 trilhões).   A previsão sombria, porém, não afetou os mercados europeus, que mantêm os ganhos do início do pregão. Por volta das 13 horas (de Brasília), Londres reduzia a alta para 0,42%; Frankfurt ganhava 5,09%, com a valorização das ações da Volkswagen; e Paris, na contramão, perdia 0,30%.     Pessimismo   Na França, o índice de confiança do consumidor atingiu mínima histórica em outubro, recuando de -44 em setembro para -47, de acordo com o departamento de estatísticas do país (Insee). Economistas consultados pela Dow Jones previam uma leitura de -46.   Nesta terça, o banco central da Islândia elevou a taxa básica de juros da economia de 12% para 18%, revertendo um corte de 3,5 pontos porcentuais feito no dia 15, quando a autoridade monetária tentou aliviar a pressão sobre a economia do país. Segundo a autoridade monetária, o aumento visa a garantir a estabilidade da moeda. O BC islandês disse também que a taxa vai recuar novamente se a inflação perder força.   Em dia de diversos balanços, a Honda Motor anunciou queda de 41% no lucro líquido do seu segundo trimestre fiscal e emitiu um alerta de lucro para o ano fiscal que termina em março de 2009, refletindo o duro período pelo qual passa a montadora japonesa, em meio à crise global.   Ásia   Nesta terça, as autoridades japonesas anunciaram que irão adiantar a implementação de uma medida que proíbe a prática da venda especulativa antecipada de ações que se beneficia da tendência de queda, uma manobra conhecida no jargão financeiro pelo termo de "short selling". Com isso, o índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão, fechou em alta de 6,4%, depois de ter caído para o nível mais baixo em 26 anos na segunda-feira.   Além disso, os exportadores foram ajudados por uma queda acentuada no valor da moeda japonesa, o iene, contra o dólar. Os valores das ações caíram na abertura dos mercados na Ásia nesta terça, depois de um dia de instabilidade ao redor do mundo, mas se recuperaram ao longo do dia.   O índice Kospi, da Coréia do Sul, teve uma queda inicial de 2,6%, mas depois subiu para fechar em alta de 5%. Em Hong Kong, a recuperação foi ainda mais espetacular, fechando em alta de mais de 14%.     (com BBC Brasil, Reuters e Agência Estado)

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