Após surra dos bancos, ações da Petrobras têm refresco

Para os analistas a alta expressiva desta terça-feira é um ajuste técnico, e que mesmo com a valorização os papéis da empresa continuam em queda de quase 30%

Reuters,

26 de outubro de 2010 | 17h45

Depois de tocar a sua menor cotação no ano na sexta-feira passada, as ações da Petrobrás voltaram a atrair investidores nesta terça-feira, 26, devido ao preço baixo, ganhando mais de 5 por cento. Mesmo assim, a queda no ano ainda é expressiva, de quase 30%.

Para analistas que acompanham a estatal, após a capitalização da empresa e a chuva de relatórios de bancos rebaixando os seus papéis --em parte devido ao ajuste com a diluição, pela maior quantidade de papéis sendo negociados-- é natural que haja uma recuperação pontual de preços, mas a tendência ainda é de volatilidade.

"O processo da capitalização deu aquele impacto inicial de revisão de preço e tem que ver quando os investidores vão esquecer, mas o que é certo é que ficou barata a ação", avaliou o analista do Banco do Brasil Investimentos Nelson Matos.

Ele mantém a recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 40,5 para as ações preferenciais.

"Fundamento ela tem para crescer. Perfuraram 9 vezes em Tupi (pré-sal da bacia de Santos) e em todos encontrou óleo. Quando começar a declarar as reservas no final do ano o múltiplo preço sobre reservas deve mudar", disse o analista.

A Petrobrás tem que declarar a comercialidade do bloco BM-S-11, onde está Tupi, no pré-sal da bacia de Santos, até o final de dezembro, segundo as regras da Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis. Segundo a estatal, Tupi tem reservas entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente. A expectativa é de que grande parte dessas reservas sejam incorporadas em 2010.

As ações preferenciais da Petrobrás subiam 5,5% no pregão desta terça-feira, por volta das 16h50, enquanto o Ibovespa operava em alta de 1,5%.

Para o analista da SLW Corretora Erick Scott, a alta expressiva de hoje é um ajuste técnico, e que mesmo com a valorização os papéis da empresa continuam em queda de quase 30%.

"Não tem motivo aparente (para a alta), é uma recuperação técnica, mas sem viés de curto prazo. O papel deve continuar volátil, com tendência de recuperação no médio e longo prazo. Ano que vem o papel deve buscar superar o índice (Ibovespa), até alcançar as projeções de consenso do mercado", disse Scott.

Ele observou que também houve espaço para a alta da empresa devido a proximidade das eleições presidenciais, no próximo domingo, e a falta de notícias muito negativas sobre o governo.

"Estamos há poucos dias da eleição e os boatos sobre a eleição diminuíram um pouco...o mercado especulou muito que pudesse surgir alguma coisa para prejudicar a candidatura do governo, até agora não aconteceu nada e o papel está se recuperando naturalmente", explicou.

Para Mônica Araújo, da corretora Ativa, não existe motivo para justificar uma queda forte do papel, devido aos seus fundamentos de médio e curto prazos, como a perspectiva do pré-sal, e é natural que o papel tenha algum ajuste positivo.

"Não tem porque cair da maneira que caiu, não tem volatilidade grande no preço do petróleo. Mas se vai ficar em alta daqui para frente vai depender do fluxo (de recursos). Hoje ela deu um refresco", avaliou.

Mônica ressaltou que no preço do papel já está incorporado uma eventual vitória da candidata oficial, Dilma Rousseff (PT). A surpresa seria a vitória do seu adversário, José Serra (PSDB).

"Dilma é a continuidade, com Serra seria outra estratégia completamente diferente (para a Petrobrás), e talvez ele retomasse a regulamentação (do setor de petróleo) como era antes, mas não vejo grandes mudanças", afirmou a analista.

O Congresso ainda avalia uma proposta enviada pelo atual governo para implantar o sistema de partilha para a venda de blocos de petróleo no país, que irá conviver com o atual sistema de concessões, instituído pelo governo anterior, do PSDB.

Por Denise Luna

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