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Agnes Dherbeys/The New York Times
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Após TAG, Engie quer fazer empresas brasileiras economizarem energia

Responsável por fazer companhia de € 60,6 bi voltar-se à energia renovável, Isabelle Kocher pretende vender serviços para uso eficiente do insumo

Mônica Ciarelli e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 05h00

RIO - Eficiência energética deixou de ser um conceito para se tornar negócio. No caso da francesa Engie, que faturou € 60,6 bilhões no ano passado, uma frente de trabalho com tendência a se tornar sua maior área no mundo nos próximos anos. “Depois de energia verde e infraestrutura de gás, nosso terceiro negócio já é a eficiência energética”, diz Isabelle Kocher, presidente global da companhia, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, durante evento para lideranças da empresa no Rio de Janeiro. 

Segundo Isabelle, a expectativa é que a área atinja um terço da receita total da Engie no médio prazo, ao lado de segmentos já consagrados como geração de energia renovável e gás. 

No Brasil, a área também vem ganhando força. Alvo recente do maior investimento da empresa no mundo nos últimos quatro anos – com a compra da Transportadora Associada de Gás (TAG), da Petrobrás, por US$ 8,6 bilhões –, o País está na linha de frente da francesa. Anualmente, a Engie destina de € 300 milhões a € 400 milhões ao Brasil, fora aquisições.

“Se a economia (brasileira) crescer, para evitar um ‘boom’ do preço da energia é preciso fazer com que as pessoas consumam menos, e de forma eficiente”, afirmou Isabelle, desde 2016 à frente da empresa e responsável pela mudança de rumo para a energia renovável.

Hoje, o carvão representa menos de 5% da geração da Engie, após a venda nos últimos anos de € 9 bilhões de ativos dessa matriz energética. No Brasil, as duas últimas térmicas a carvão também serão vendidas. 

Aquisições

Para aumentar a área de eficiência energética no País, a Engie comprou no Brasil seis empresas de atividades diferentes, como serviços, consultoria e geração solar distribuída. A ideia é oferecer soluções como monitoramento do consumo de energia elétrica. No banco Santander, por exemplo, a Engie monitora 1,5 mil agências. Identifica em quais momentos o ar condicionado deve ser ligado ou quando as luzem devem ser apagadas. 

Já em um prédio da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio, a solução foi dada com a instalação de aparelhos de ar condicionado no telhado do prédio e a venda de energia renovável. Para a GE, foi desenvolvido monitoramento para impedir o consumo de energia além do esperado, proporcionado economia de 20% nos custos.

No Brasil, a Engie tem 2,7 mil funcionários, dos quais 1,7 mil trabalham com eficiência energética. Para o coordenador do grupo de estudos do setor elétrico do Instituto de Economia da UFRJ, Nivalde de Castro, é natural que a Engie invista no segmento de eficiência energética. “Ela vende energia e, por isso, sabe o perfil de consumo dos seus clientes e pode apresentar alternativas à redução de custo”, disse. Segundo ele, o foco da empresa deve ser o setor industrial, que não tem tradição de investir nisso no Brasil. 

Já para o setor de gás, os planos da Engie são de continuar avaliando as vendas da Petrobrás. Em primeiro lugar, porém, a empresa irá se dedicar à TAG. “O momento agora é de fazer a integração da TAG”, disse Maurício Bahr, presidente da Engie Brasil. “Vamos fazer a adaptação da nova cultura da empresa – tem funcionários que são da Petrobrás e é preciso fazer a transição.” 

Bahr descartou participar da disputa pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), mas disse que outras oportunidades poderão ser avaliadas. “Na Europa, a gente opera 30 mil km de gasodutos, então o potencial do Brasil tem para explorar essa imensa quantidade de gás que vem pelo pré-sal é enorme”, afirmou. 

No médio prazo, a Engie estuda trazer ao Brasil a estocagem de gás, bem como em produção de biogás. “Estudamos um projeto de biogás no Rio Grande do Sul, fizemos uma proposta para a Sulgás e está começando agora”, disse Bahr. “São tendências e a gente está olhando mercado com muito carinho.” 

Para Isabelle, o gás natural vai ter um papel mais importante no Brasil, à medida que aumente a geração intermitente da energia eólica e da solar. “O governo tomou decisões claras em relação ao mercado de gás o que, para o investidor, é um cenário promissor”, disse ela. 

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