Kimimasa Mayama/EFE/EPA
Kimimasa Mayama/EFE/EPA

Após teste positivo de Trump para coronavírus, mercados internacionais fecham em queda

Em uma publicação no Twitter, presidente dos Estados Unidos disse que vai começar a quarentena 'imediatamente'

Gabriel Bueno da Costa e Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 02 de outubro de 2020 | 19h06

Em um dia ainda com feriados e mercados sem operar em vários países da Ásia, entre eles a China, a bolsa de Tóquio fechou em baixa. O quadro nesta sexta-feira, 2, foi de menor apetite por risco, diante da maior incerteza após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que está com covid-19. Nesse cenário, as bolsas da Europa e Nova York também encerraram com quedas. 

Em uma publicação no Twitter, Trump disse que vai começar a quarentena "imediatamente". Ele e a primeira-dama dos EUA, Melania, fizeram exames para a covid-19 após a conselheira próxima do presidente, Hope Hicks, ser diagnosticada com o novo coronavírus

Já o candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, e sua mulher, Jill, testaram negativo para covid-19, segundo membros da sua campanha. Ele participou de um debate eleitoral com Trump na última terça-feira, 29. Antes do diagnóstico, Biden foi às redes sociais para desejar ‘uma rápida recuperação' ao presidente.

Além disso, a nova rodada de estímulos dos EUA também chamou a atenção do investidor. Hoje, Nancy Pelosipresidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, enviou uma carta aos congressistas democratas, na qual citou "divergências significativas" nas discussões com o governo por uma nova rodada de estímulos fiscais. "Nossas negociações com o governo continuam e estou esperançosa de que podemos chegar a um acordo", escreveu.

Bolsa da Ásia

Os mercados na China, em Hong Kong, em Taiwan e na Coreia do Sul estavam paralisados por causa de feriados. No Japão, a praça da capital voltou a operar, após o pregão da quinta-feira ter sido cancelado devido a um problema técnico. Por lá, o Nikkei fechou em baixa de 0,67%, com investidores atentos ao cenário político dos EUA.

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em baixa de 1,39%. A novidade sobre Trump também prejudicou o apetite por risco na Bolsa de Sydney, com especulações sobre incertezas no quadro político e eventual adiamento do processo eleitoral, segundo Shane Oliver, economista-chefe da AMP Capital. Entre os setores, o de energia se saiu pior na bolsa australiana, enquanto entre as mineradoras BHP teve queda de 3,2% e Fortescue, de 3,6%.  

Bolsas da Europa 

Além do contágio de Trump, o índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro veio mais fraco do que o esperado na preliminar de setembro. Embora isso sinalize para manutenção de política relaxada pelo Banco Central Europeu (BCE), o que tende a ajudar os mercados acionários, também é nova mostra das dificuldades para a retomada  da inflação em níveis mais saudáveis na área. 

Com isso, os índices ficaram sem sinal único por lá. O Stoxx 600 avançou 0,25%, enquanto Londres subiu 0,39%, Paris avançou apenas 0,02% e Madri teve ganho de 0,35%. Milão também teve ganho marginal de 0,01%, mas Lisboa e Frankfurt encerraram com quedas de 0,47% e 0,33% cada.

Bolsa de Nova York

A bolsa de Nova York fecharam em baixa em um dia de cautela e aversão a riscos, com os investidores atentos ao estado de saúde de Trump e o impasse em torno de novos estímulos nos EUA.  Dow Jones fechou em queda de 0,48%, com avanço de 2,00% na semana. O S&P 500 caiu 0,96%, nível 1,51% superior ao de sexta-feira passada. O Nasdaq caiu 2,22%,com alta de 1,48% na semana.

As empresas de tecnologia tiveram perdas generalizadas, e levaram o Nasdaq a ter a maior queda entre os principais índices. O Facebook teve queda de 2,51%, seguida por Amazon, com 2,99%, Apple, com 3,23%, Netflix, com 4,63%, Microsoft, com 2,95% e Alphabet, com 2,17%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte queda por mais um dia, aumentando a desvalorização semanal. O recuo desta sexta-feira teve influência das incertezas nos mercados, na esteira anúncio de Donald Trump de que contraiu covid-19. Além disso, há indícios globais sobre o excesso de oferta. 

WTI para novembro perdeu 4,31%, a US$ 37,05 o barril, com um recuo de 7,70% na semana. Já o Brent para o dezembro perdeu 4,06%, a US$ 39,27 o barril, com queda de 6,32% na semana, e ficando abaixo dos US$ 39,5 pela primeira vez desde junho. 

"O mercado de petróleo está dominado por preocupações com a estagnação da demanda e os temores sobre o aumento da oferta petrolífera", avalia Julius Baer. A grande questão por conta do excesso da oferta vem por parte do acordo OPEP+. Os cortes na produção entre maio e julho atingiram seus objetivos, mas posteriormente, houveram problemas no cumprimento das metas./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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