Jung Yeon-je/AFP
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Mercados fecham em queda de olho em alta nos rendimentos de títulos do Tesouro americano

Melhora no rendimento dos Treasuries preocupam as Bolsas, já que existe a grande chance de debandada de investidores, uma vez que o ativo é considerado o mais seguro do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 07h30
Atualizado 26 de fevereiro de 2021 | 19h35

Os principais índices do exterior voltaram a fechar em queda sexta-feira, 26, após o aumento recente nos retornos dos títulos do Tesouro americano, considerados como o ativo mais seguro do mundo. Ontem, a onda de vendas em Wall Street veio após o rendimento do título de 10 anos ultrapassar a marca de 1,5%, maior nível em um ano e bem acima do patamar de 0,92% em que se encontrava há apenas dois meses. 

A perspectiva de retomada da economia americana, que deve vir acompanhada do aumento da inflação nos Estados Unidos, faz crescer o interesse dos investidores por esse tipo de ativo, já que quanto mais alta a inflação, melhor será o rendimento. E como os títulos públicos americanos, conhecidos como Treasuries, são considerados a forma de investimento mais segura, esse movimento gera tensão não apenas para economias emergentes, mas também para os mercados acionários em geral.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, se esforçou nesta semana para aliviar as preocupações de investidores, ao dizer que os retornos dos Treasuries indicam confiança na recuperação dos EUA. Ele também tentou minimizar os riscos de uma disparada da inflação no país, no entanto, o discurso caiu por terra, após outro dirigente do Fed apontar para uma expectativa de inflação de 2% no longo prazo.

Na contramão do otimismo dos EUA, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, disse que o Reino Unido deve sofrer contração no primeiro trimestre, apontando para o impacto "bastante desigual"  da pandemia na economia local.

Bolsas da Ásia

A Bolsa de Tóquio liderou as perdas na Ásia, com um tombo de 3,99%, enquanto a de Hong Kong caiu 3,64% e a de Seul, 2,80%. A Bolsa de Taiwan se desvalorizou 3,03%. Os índices chineses de XangaiShenzhen tiveram quedas de 2,12% e 1,79% cada.

Na Oceania, a Bolsa australiana também foi influenciada pelo mau humor de Nova York e caiu 2,35% em Sydney

Bolsas da Europa 

Na Europa, a situação não foi diferente. O índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, caíram 1,64%, enquanto a Bolsa de Londres fechou em baixa de 2,53%, a de Paris, de 1,39% e a de Frankfurt, de 0,67%. 

Milão, Madri e Lisboa caíram 0,93%, 1,12% e 1,78%. Com exceção de Madri, todos os índices fecharam em queda semanal.

Bolsas de Nova York

As Bolsas de Nova York fecharam sem sinal único hoje, ainda com observação atenta aos rendimentos dos Treasuries, que derrubaram as ações durante a semana. Após a maior queda desde outubro, a Nasdaq recuperou parte das perdas e avançou 0,56%. S&P 500 e Dow Jones caíram 1,50% e 0,48% cada.

Na semana, o Dow Jones caiu 1,80%, o S&P 500 recuou 2,45% e o Nasdaq cedeu 4,91%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta sexta, em sessão marcada por um forte avanço do dólar perante rivais, o que torna a commodity mais cara para detentores de outras divisas, reduzindo a demanda. As atenções no mercado estão voltadas para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) na próxima semana. Os investidores especulam se haverá mudanças no acordo de cortes na produção. 

O WTI com entrega prevista para abril recuou 3,20%, a US$ 61,50 o barril. Na semana, o contrato mais líquido do WTI teve alta de 3,78%. Já o Brent para maio fechou em queda de 2,56% hoje, cotado a US$ 64,42 o barril, mas teve avanço semanal de 5,45%. /MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE E SÉRGIO CALDAS

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