Após transplante, Jobs está de volta à Apple

Executivo licenciou-se da empresa em janeiro para cuidar da saúde

Dow Jones Newswires, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

O executivo-chefe da Apple, Steve Jobs, está de volta ao trabalho após seis meses de licença médica, confirmou ontem o porta-voz da empresa, Steve Dowling. Ele informou que Jobs, de 54 anos, vai trabalhar nos escritórios da Apple "alguns dias por semana" e em casa nos outros dias. "Estamos muito satisfeitos por tê-lo de volta", disse Dowling.O porta-voz não quis comentar se as tarefas de Jobs serão as mesmas que o executivo cumpria antes de anunciar que se retiraria da empresa, em janeiro. Dowling também não informou como a volta de Jobs vai afetar o diretor operacional da empresa, Tim Cook, que assumiu o cargo de CEO interinamente. Uma pessoa com conhecimento dos planos da Apple afirmou que Cook pode assumir um assento no conselho da empresa. Sob a direção de Cook, a companhia continuou a lançar produtos bem recebidos, incluindo laptops mais baratos e um iPhone mais barato, com novas ferramentas. No início de janeiro, Jobs disse que estava sofrendo de um desequilíbrio hormonal, de fácil tratamento. Menos de duas semanas depois, ele anunciou que sairia de licença em janeiro, sob a justificativa de que a sua condição médica era mais complexa do que ele inicialmente imaginava. O pronunciamento ocorreu após meses de especulações sobre sua aparência, já que ele havia perdido muito peso.Na semana passada, o Hospital da Universidade Metodista do Tennessee confirmou que Jobs fez um transplante de fígado. Especialistas médicos que não estiveram diretamente envolvido no tratamento de Jobs disseram que as células cancerígenas não removidas em uma cirurgia feita há alguns anos poderiam ter se espalhado no fígado de Jobs. O hospital não informou quando o transplante ocorreu, mas informou que o executivo estava se recuperando bem e que o seu prognóstico era bom. O retorno de Jobs teve pequeno reflexo imediato nas ações da Apple. Às 15h10 (de Brasília), os papéis caíam 0,24%, para US$ 142,10, na Nasdaq. A leve reação das ações prova um fato que poderia ter surpreendido muitas pessoas há um ano: o valor de mercado da Apple está cada vez menos ligado a Steve Jobs e mais à linha de produtos e ao forte balanço financeiro da empresa."Acho que a imprensa está mais obcecada com a saúde de Steve Jobs do que os investidores", afirmou Shaw Wu, analista da Kaufman Bros, que acredita que Jobs provavelmente vai manter uma posição sênior na empresa. No entanto, a volta de Jobs, sem dúvida vai renovar as discussões sobre a falha do conselho da Apple em revelar o transplante do executivo e seu prognóstico após a cirurgia. No início deste ano, a Securities and Exchange Comission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA) abriu um inquérito para apurar as declarações da Apple sobre a saúde de Jobs.A cirurgia "não é relevante até que ele se torne CEO novamente", afirmou Charles Elson, diretor do Centro Weinberg para Governança Corporativa da escola de negócios da Universidade de Delaware. Agora, a Apple "tem de falar sobre a saúde de Jobs, o transplante e tudo", disse Elson. O estado de saúde e o retorno do executivo ao trabalho têm sido acompanhados com cuidado pelos investidores e a mídia. Poucos presidentes são considerados tão fundamentais para o sucesso de suas companhias quanto Jobs é para Apple. Ele é visto como o visionário dos iPods e do iPhone.

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