Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Após três anos de retração, Azul aumenta oferta e traz de volta aviões

Desde 2014, em função da queda de demanda no País, companhia aérea vendeu a terceiros ou arrendou 34 aeronaves à parceira portuguesa TAP

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2017 | 05h00

Depois de se desfazer de 34 aviões nos últimos três anos por causa da queda de demanda, a Azul começa a trazer de volta parte dessas aeronaves. Duas delas, que haviam sido arrendadas para a portuguesa TAP e cujos retornos estavam programados para 2018 e 2019, chegarão no Brasil neste ano – a primeira já em julho. A empresa tem ainda ampliado sua oferta introduzindo aviões maiores na frota. A estratégia, diz o presidente da companhia, Antonoaldo Neves, é “criar demanda”.

“Chegamos a cortar 20% da oferta (medida por assento-quilômetro disponível) na crise. Hoje já estamos voltando. Claro que ainda não está no nível anterior (a 2014)”, disse Neves ao Estado, em entrevista em que fez questão de ressaltar que não deixará seu cargo. “A notícia está totalmente errada”, frisou, em referência aos rumores que circulam no mercado sobre sua possível saída da Azul.

Em relação à retomada da oferta, o executivo explicou que a intenção não é aumentar os assentos de forma indiscriminada, mas apenas em rotas em que os atuais aviões estão pequenos para atender a procura. “Estamos cirurgicamente tentando apertar os parafusos.” No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a empresa já aumentou sua oferta em 8,3%.

Dos 34 aviões que a Azul se desfez nos últimos três anos, 15 foram arrendados à TAP e 19 vendidos ou devolvidos. Atualmente, a maior parte dos aviões da empresa é composta por aeronaves da Embraer com 118 lugares. Em 2014, a Azul encomendou 65 aviões da Airbus com capacidade para 174 pessoas. Esses modelos já começaram a ser entregues e tem garantido a ampliação da oferta.

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“Hoje, eu voo de Confins (em Minas Gerais) para Buenos Aires de E-Jet (modelo da Embraer). Não é a operação mais eficiente. Deveria ser de Airbus, mas não tenho um para colocar na rota. O que buscamos é diminuir nosso custo unitário”, disse o executivo – aviões maiores, desde que cheios, permitem que o custo de operação por passageiro embarcado se dissolva. “Tenho mercados que cresceram muito e preciso colocar um avião que leve mais passageiros na rota, fica mais econômico do que colocar dois E-Jet.”

A troca de aeronaves em algumas rotas fará com que aviões menores sejam liberados para atender novos destinos. A Azul pretende entrar em dez cidades em 12 meses e analisa outras 20 para os três anos seguintes. “Serão novas rotas nesse mesmo conceito da Azul (cidades em que não atuam concorrentes). A gente está em um jogo de criar um mercado que hoje não existe.”

O especialista em aviação André Castellini, da Bain & Company, vê essa estratégia de ampliação da oferta mais relacionada ao “apetite da Azul para crescer” do que com o cenário do consumo brasileiro. Segundo Castellini, não há um fortalecimento significativo da demanda no País. “A impressão é que o (resultado econômico do) primeiro trimestre foi um soluço.”

No setor de aviação houve um aumento de demanda doméstica de 0,5% nos quatro primeiros meses do ano. A oferta recuou 0,8%, o que indica que as empresas ainda estão cortando o número de assentos oferecidos. A demanda por voos internacionais no País, porém, cresceu 11,1% no mesmo período.

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