José Patrício/AE
José Patrício/AE

Com crescimento de 9,5% no trimestre, Pão de Açúcar iguala crescimento ao do Carrefour

No período, Carrefour se distanciou na liderança do setor, em meio a uma piora das vendas dos hipermercados Extra, do GPA

Beth Moreira, Dayanne Sousa e Luana Pavani, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2017 | 11h59

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou aumento de vendas de 9,5% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2016, com ajuste pelo efeito calendário, para R$ 10,553 bilhões. Em comunicado, o GPA destaca "a recuperação do Extra Hiper e o crescimento consistente do Assaí", bandeiras que "apresentaram desempenho acima do mercado".

O anúncio equiparou o grupo ao Carrefour: rivais se igualaram no ritmo de crescimento de vendas no Brasil no primeiro trimestre de 2017, colocando o GPA na sua posição mais favorável na disputa com o concorrente desde o segundo trimestre de 2014. Os líderes do setor de supermercados brasileiro tiveram desempenho equivalente no trimestre, ambos desacelerando seu crescimento nominal de vendas em meio à perda de força da inflação de alimentos.

Tanto o Carrefour Brasil como o GPA apuraram crescimento de vendas, no critério mesmas lojas, de 5,6% entre janeiro e março deste ano na comparação com os mesmos meses de 2016. O dado leva em conta apenas os pontos de venda abertos há mais de um ano e está ajustado para efeitos de calendário.

Após um período em que o Carrefour se distanciou na liderança do setor, em meio a uma piora das vendas dos hipermercados Extra, do GPA, a companhia controlada pelo grupo francês Casino veio melhorando seus resultados. A diferença no desempenho dos dois rivais foi encolhendo gradualmente a partir do segundo semestre do ano passado, até ser zerada nos primeiros meses deste ano.

Analistas têm enxergado nos números sinais de uma recuperação de market share do Extra, em meio a uma possível piora nas vendas dos hipermercados do Carrefour.

Embora o Carrefour não divulgue detalhes das vendas por tipo de loja, a rede tem uma fatia maior de seu faturamento atrelado ao chamado "atacarejo", com a marca Atacadão. Dado que o "atacarejo" vem crescendo de forma mais acelerada do que o resto do varejo no Brasil, o fato de GPA e Carrefour terem reportado a mesma média de crescimento indicaria que os hipermercados do Carrefour estão indo pior que os do GPA. O GPA afirma que o Extra, de fato, ganhou fatia de mercado. Segundo a empresa, seus hipermercados têm hoje uma fatia de mercado superior a patamares históricos de 2015.

Para o analista da Brasil Plural, Guilherme Assis, os resultados sinalizam que há um potencial de o GPA apresentar melhoria nas suas margens no trimestre. A divulgação do desempenho financeiro do grupo está prevista para o final de abril.

O Extra foi alvo de uma série de iniciativas para recuperação das vendas, entre elas a implantação de uma nova estratégia comercial que acabou por afetar negativamente as margens da empresa no último ano. A companhia passou a oferecer descontos atrelados a compra em maiores quantidades de alguns tipos de produto, num esforço de recuperação de market share. Uma vez dada a recuperação, a rentabilidade da empresa pode deixar de ser tão afetada pela agressividade de preços.

Vendas líquidas. No segmento de multivarejo, as vendas líquidas alcançaram R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre de 2017, com crescimento ‘mesmas lojas’ de 2,0%. Segundo a empresa, o desempenho do trimestre continuou a demonstrar a assertividade das estratégias comerciais através da recuperação sequencial dos volumes de 8,4 pontos porcentuais e da melhoria do fluxo de clientes de 4,1 pontos porcentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em seu release de resultados, a empresa destaca, no entanto, que outros efeitos afetaram negativamente o desempenho das vendas no período, como a otimização do portfólio de lojas, que resultou no fechamento de 60 lojas no últimos 12 meses e 20 no trimestre, sendo 5 hipermercados que estão em processo de conversão para Assai. Outro ponto citado é o efeito da menor inflação de alimentos no período (de 5,2% no primeiro trimestre de 2017 versus 13,1% no mesmo período do ano anterior.

 

Eletrônicos. Os números do Carrefour e do GPA apontam ainda para uma melhora em um dos fatores que mais vinha contribuindo para ferir os resultados do varejo: as vendas de bens duráveis e categorias não alimentares de forma geral nos hipermercados.

O diretor-financeiro do Carrefour, Pierre-Jean Sivignon, destacou em teleconferência que, com os primeiros sinais de que o Brasil está saindo da recessão, as vendas de não-alimentos da varejista começaram a melhorar.

A mesma melhora foi reportada pelo GPA. Segundo a empresa, as vendas desses produtos em hipermercados tiveram crescimento. O grupo destacou as vendas de celulares e o efeito favorável para o consumo da liberação de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 

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