Após três meses de queda, preços do varejo ficam estáveis

Depois de três meses consecutivos de deflação, o Índice de Preços no Varejo (IPV), da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), ficou praticamente estável em julho (0,01%). Em abril, a queda havia sido de 0,06%; em maio, de 0,39% e, em junho, de 0,63% - a taxa mais baixa da série histórica, iniciada em 2002.No acumulado de janeiro a julho de 2006, o IPV registra variação negativa de 1%, contra o mesmo período do ano anterior. Segundo o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, a expectativa é a de que o IPV sofra uma pequena pressão nos próximos meses, em virtude da estiagem ocorrida na Região Sul e das elevações do preço do petróleo. "Esses fatores não deverão prejudicar de maneira significativa o IPV, pois o câmbio continua valorizado, o que favorece o controle da inflação", avaliou por meio de nota à imprensa.De acordo com o documento da Federação, divulgado nesta quarta-feira, a alta dos preços de combustíveis, lubrificantes e frutas foi a principal causa da interrupção da trajetória de queda que era percebida desde abril. No comparativo mês a mês, o segmento de Combustíveis e Lubrificantes registrou incremento de 0,83% em julho, depois de ter também três quedas consecutivas em seu índice de preços. Nos primeiros sete meses deste ano contra igual intervalo de 2005, a elevação é de 2,84%.Maior elevação Na contramão das últimas edições do IPV, o grupo Feiras foi o que teve maior elevação no contraponto entre julho e junho dentre todos os pesquisados: alta de 2,86%. "O desempenho foi influenciado pela queda nas temperaturas e pela estiagem em algumas regiões do Brasil." Os principais destaques, em termos de variações positivas, foram registrados em: Tubérculos (1,26%), Legumes (1,47%) e Frutas (6,69%).Em julho, o setor de Veículos registrou elevação de 0,51% ante alta de 0,21% apurada em junho. Nos sete primeiros meses do ano, o ramo acumula acréscimo de preços de 1,16%. Outros grupos que tiveram variação positiva em julho foram: Óticas (1,12%), Eletrodomésticos (0,53%), Livraria (0,42%), Autopeças e Acessórios (0,37%) e Brinquedos (0,28%). Maior variação negativa Segundo a Fecomercio, o segmento de Açougues acumula a maior variação negativa no acumulado do ano até julho, de 11,68%. No mês passado, o segmento apontou retração de 1,04% - segunda queda consecutiva no índice uma vez que variou -0,09% em junho.O desempenho, na avaliação dos analistas da Fecomercio, é influenciado, principalmente, pelo excesso de oferta causado pelos embargos às "proteínas animais brasileiras em virtude da gripe aviária e da febre aftosa". Carnes bovinas, Suínas e Aves apontaram, respectivamente, em julho, quedas de 0,25%, 0,95% e 5,10%.O grupo de Eletroeletrônicos registrou retração de 1,65%, repetindo a mesma variação vista em junho. No ano, o setor acumula a segunda maior queda do IPV: 10,31%. O real valorizado frente ao dólar é o principal fator que permite a prática de preços mais baixos.A elevação dos preços das frutas em 7,10%, verificada em julho nos Supermercados, não chegou a afetar a trajetória dos preços dos produtos alimentícios do ramo, que encerraram o mês em declínio de 0,04%. O grupo não apresenta variações positivas desde janeiro deste ano, quando o índice teve valorização de 0,10%. Com isso, acumula queda de 3,31% no período de janeiro a julho em relação ao acumulado nos primeiros sete meses de 2005.Principais destaques no mês ficam por conta das variações negativas nos preços de Verduras (12,55%), Carnes Suínas (5,06%), Aves (4,63%), Pescados (2,15%) e Legumes (1,98%). O grupo de Vestuário, Tecidos e Calçados registrou queda de 0,97% em julho e, de janeiro a julho, acumulam declínio de 0,75%. No contraponto entre julho e junho, os outros grupos que apontaram queda em suas variações foram: CDs (2,40%), Floriculturas (0,23%), Drogarias e Perfumarias (0,21%), Material para Escritório e outros (0,18%) e Relojoarias (0,08%). Este texto foi atualizado às 15h37.

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