Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após Trump, aumenta fluxo de dólar no Brasil

Déficit nas contas externas brasileiras até outubro está em US$ 17 bi; no mesmo período do ano passado, resultado era negativo em US$ 58,9 bi

Fabrício de Castro Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2016 | 22h47

A vitória de Donald Trump na corrida presidencial americana mexeu com as cotações do dólar ante o real nas últimas semanas, mas não prejudicou o fluxo de recursos para o Brasil. Dados divulgados nesta terça-feira, 22, pelo Banco Central mostram que de 9 a 18 de novembro, já após a eleição, o País recebeu US$ 3,5 bilhões líquidos. Foram US$ 1,8 bilhão pela via comercial (exportações menos importações) e US$ 1,7 bilhão pela financeira.

“O que a gente observa é que não há nenhum impacto negativo da eleição americana sobre os fluxos no mercado cambial. Pelo contrário, o fluxo é positivo nesse período”, destacou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. Com o êxito de Trump, o dólar avançou ante o real em um primeiro momento e muitos exportadores e investidores aproveitaram as cotações favoráveis para fechar operações, o que contribuiu para o fluxo. Em novembro, até o dia 18, o País já tinha recebido US$ 2,5 bilhões líquidos.

Os números foram informados por Macie durante entrevista coletiva sobre as contas externas do Brasil. Em outubro, o País registrou um déficit de US$ 3,3 bilhões nas transações correntes – o resultado de todas as operações, comerciais ou não, do Brasil com o exterior. No ano, até o fim de outubro, o déficit está em US$ 17 bilhões.

Esse rombo, no entanto, é bem menor que o visto em 2015, quando o acumulado de janeiro a outubro indicava déficit de US$ 58,9 bilhões. Nos 12 meses encerrados em outubro deste ano, o déficit em conta soma US$ 22,3 bilhões (-1,25% do PIB), ante US$ 74,3 bilhões (-3,95% do PIB) do acumulado até outubro de 2015. Na prática, o rombo externo cedeu cerca de 70% de um ano para outro.

“O déficit em transações correntes em 12 meses segue recuando. Os números ilustram bem a magnitude do ajuste nas contas”, disse Maciel. “O déficit em conta deixou de ser um ponto de maior preocupação macroeconômica”, acrescentou.

De acordo com Maciel, o ajuste nas contas externas ocorre principalmente em função da balança comercial brasileira. Em outubro, as exportações superaram as importações em US$ 2,1 bilhões. No ano até o último mês, o saldo comercial é positivo em US$ 36,3 bilhões.

Além dos rombos menores nas transações correntes, o Brasil tem recebido quantias expressivas de investimentos produtivos. O Investimento Direto no País (IDP) em outubro foi de US$ 8,4 bilhões. No acumulado do ano até agora, o Brasil já recebeu US$ 54,9 bilhões de investimentos – mais de três vezes o rombo em conta corrente.

“O IDP surpreendeu positivamente e é mais do que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente”, avaliou economista-sênior do banco Haitong, Flávio Serrano. / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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